Gaúcho Tamarrado vira alvo da Comissão de Ética
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sexta-feira, 08 de novembro de 2013
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
A ausência do vereador Gaúcho Tamarrado (PDT) na sessão da Câmara Municipal de Londrina (CML) no dia em que participou do torneio de sinuca Bilhar Show, na terça-feira última, quando estava afastado das funções legislativas por ordem médica, vai acarretar o desconto do pagamento referente ao dia e pode culminar com punição aplicada pela Comissão de Ética.
A decisão foi tomada na tarde de ontem, depois que a FOLHA mostrou a participação do parlamentar na disputa. Na ocasião, ele afirmou que foi liberado pelo médico para participar do torneio, no qual permanece invicto nas duas primeiras rodadas, e que já havia avisado o presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), da participação.
Tamarrado passou por cirurgia de correção das pálpebras que, segundo ele, estavam prejudicando a visão. A operação foi na quarta-feira da semana passada e a orientação médica era para afastamento por dez dias. A licença o impedia de participar das sessões dos dias 31 de outubro e 5 e 7 de novembro.
Porém, após a publicação da reportagem, o vereador decidiu voltar à Câmara ontem. Chegou ao Legislativo às 15 horas e lembrou à imprensa que retornou antes do prazo de afastamento constante no atestado médico. "É porque sou trabalhador", disse a um repórter de tevê, antes de entrar no corredor que dá acesso ao plenário.
A sessão foi suspensa por mais de 40 minutos para que a Mesa Executiva se reunisse com o vereador e a Comissão de Ética do Legislativo. Diante da insistência dos outros vereadores de que cometeu um erro, Tamarrado aceitou pedir, por escrito, o desconto do salário referente à terça-feira passada.
Mesmo assim, Rony disse que a Mesa Executiva vai encaminhar para a procuradoria da Câmara e para a Comissão de Ética o atestado, o pedido de desconto e a reportagem com a denúncia. "Chamamos o vereador e dissemos entender que havia um ilícito na atitude do vereador em apresentar um atestado médico que justificava a ausência dele no dia 5 e que, com essa justificativa, participou de um torneio de bilhar", disse Rony. "Se a comissão (de Ética) entender, depois, que cabe punição, vai então ver qual enquadra melhor", completou.
Porém, nem ele, nem o presidente da Comissão de Ética quiseram opinar se houve quebra do decoro parlamentar na atitude de Tamarrado. "A gente não pode colocar já se houve porque os fatos não chegaram à comissão ainda", justifica Kanashiro.
Porém, o vereador, que é médico, disse que Tamarrado tornou o atestado sem efeito ao decidir, por si próprio, que já tinha melhorado e que poderia participar do torneio e retornar às atividades legislativas no período em que o profissional aconselhou o afastamento.


