A inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI) foi alvo de uma página única na história de Londrina: a cassação do mandato de um prefeito. Em 22 de junho de 2000, após uma sessão especial de julgamento que durou 26 horas, os vereadores retiraram, por 14 votos a seis, o mandato de Antonio Belinati. Na época, Belinati pertencia ao PFL (atual DEM), estava em sua terceira gestão à frente do Executivo londrinense e já havia anunciado a disposição de ser ''tetra prefeito''. A decisão dos vereadores também se embasou na acusação de promoção pessoal na campanha publicitária de inauguração do PAI.
A cassação interrompeu o ápice político do ex-prefeito - que na época tinha sua esposa, Emília Belinati, como vice-governadora, e seu filho, Antonio Carlos Belinati, como deputado estadual. O trio era aliado do então governador Jaime Lerner.
A votação na Câmara Municipal foi precedida de um período de investigações do Ministério Público (MP) sobre irregularidades na administração pública que ficou conhecido como caso AMA/Comurb. Até hoje, Belinati responde a dezenas de processos cíveis e criminais relacionados àquele período. O caso AMA/Comurb alcançou quase todos os secretários municipais e titulares de cargos de primeiro escalão da administração municipal, entre eles o ex-presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, o ex-secretário de Governo, Gino Azzolini, e o ex-presidente da Comurb, Kakunen Kyosen.
Curiosamente, a cassação do ex-prefeito Belinati marcou o início da ascensão política do ex-presidente da Câmara, Orlando Bonilha (sem partido). Bonilha, em 2008, foi o epicentro de um escândalo de corrupção que arrastou quase metade da legislatura anterior para o banco dos réus. Preso em duas oportunidades e com o mandato cassado, Bonilha teve os direitos políticos suspensos e entrou em ostracismo político. Em 2000, o ex-vereador deu o voto que definiu a cassação do mandato de Belinati. (F.C.)

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