Gastos bloqueiam desenvolvimento
São Paulo - Na opinião do economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves, o tamanho do Estado, tanto do ponto de vista de gasto como de receita, aumentou na administração Lula. Segundo ele, só a carga tributária do governo central subiu de 19,6%, em 2002, para 21% em 2005.
Por outro lado, completa o economista, houve queda nos investimentos para pagar juros. ''Hoje temos um governo Lula gastando 6,4% do PIB, um terço da taxa de investimento. O resultado é um bloqueio no desenvolvimento do País.''
Raul Velloso, especialista em contas públicas, completa ainda que há no Brasil um modelo de crescimento do governo que impede o crescimento da economia. ''Esse modelo de crescimento está chegando ao fim, pois não dá para criar mais impostos.''
Para os professores da FGV e Mackenzie, a solução para o problema do tamanho do Estado está em fazer, além de uma reforma fiscal, uma reforma política para reduzir o espaço político. ''É preciso ter menos jogadores'', diz Arvate, concluindo que a tese de que a privatização diminuiria o tamanho do governo não funcionou no Brasil, ao contrário do que ocorreu na Inglaterra.
Farpas O tema privatização sempre foi motivo de troca de farpas no meio político-partidário e causa polêmicas entre especialistas. Para alguns, a venda de estatais é uma saída para um Estado que mal consegue investir em serviços primordiais para o País, como saúde e educação.
Arvate argumenta que a privatização em si não é ruim. ''Vide o caso da telefonia. No passado, conseguir uma linha telefônica era para poucos. Além de ser caro, o tempo de instalação levava anos.'' Naquela época, quando o sistema era estatal, uma linha chegava a custar US$ 10 mil e a instalação demorava até seis anos. Hoje a instalação pode ser feita em questão de dias e não há mais a compra da linha, mas uma assinatura mensal - o que também é fator de discussão. Há protestos contra o pagamento dessa conta.
Para o historiador e financista americano, John Schulz, outra área em que a privatização foi um sucesso no Brasil é a siderurgia, referindo-se à venda da Companhia Vale do Rio Doce, que hoje é uma das maiores do mundo por causa do programa intenso de investimentos.
Nesse caso, também há controvérsia. Segundo o economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves, se a Vale fosse estatal poderia contribuir bastante para as finanças públicas. Questionado sobre o potencial de investimento, ele cita o exemplo da Petrobras. ''O preço das commodities subiu, o lucro melhorou e os investimentos aumentaram.'' (AE)





