Brasília - Apesar da minirreforma eleitoral que proibiu gastos com showmícios e distribuição de brindes - a pretexto de reduzir os custos e a prática de caixa 2 -, os políticos gastaram muito mais com a campanha eleitoral deste ano do que com a de 2002. Prestações de contas de campanha analisadas pelo Estado mostram que há políticos que multiplicaram em 2006 tanto as despesas oficiais quanto a arrecadação formal de recursos. Houve mudanças também no perfil dos gastos. Agora, segundo estimativas preliminares do TSE, as despesas estão mais concentradas em publicidade e no pagamento de pessoal envolvido na campanha.
Um deles foi o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), presidente licenciado do PT. Em 2002, o parlamentar declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 201.086,59 e gasto R$ 201.692,31. Nesta eleição, após o escândalo do dossiê, Berzoini informou que obteve receita de R$ 2.064.675,36. Os gastos, segundo ele, somaram R$ 2.059.992,92. Um dos maiores gastos foi com encargos sociais e pagamento de pessoal engajado na campanha.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, se disse perplexo com o crescimento generalizado dos gastos na campanha deste ano. ''Pela Lei 11.300 houve um barateamento. O que houve? Para mim agora houve maior transparência'', declarou o ministro, que lembrou as suspeitas de prática de caixa 2 na eleição de 2002. ''Eu só posso justificar a diferença pela passagem de recursos por debaixo do pano.''
Marco Aurélio não acredita que nesta eleição tenha ocorrido contabilidade paralela. ''Agora os doadores ficaram mais espertos para não sofrerem percalços'', disse. Ele ressaltou que os dois candidatos que disputaram o segundo turno da eleição presidencial - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano Geraldo Alckmin - pediram no meio da campanha autorização do TSE para elevar o limite de gastos. O tribunal autorizou.
Além de Berzoini, o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), que perdeu a reeleição, teve arrecadação e gastos mais expressivos neste ano. Em 2002, quando foi eleito, Paulo Souto afirmou ter gasto R$ 5.970.866,31. Neste ano, declarou despesas de R$ 9.268.977,74. A arrecadação também deu um salto. Passou de R$ 5.972.633,49 em 2002 para R$ 9.271.969,12 em 2006.

mockup