A auditoria em Arapongas apurou ainda irregularidades na merenda e no transporte escolar. Dois relatórios foram reservados a essas duas áreas. Na merenda escolar, o procurador jurídico João Alberto Graça explica que, além do círculo restrito de fornecedores, o que pode caracterizar favorecimento ilícito, o município concentrou a maioria das compras numa mercearia, inclusive de produtos que ela comercializa como intermediária, como pães, carnes e ovos.
‘‘Encontramos absurdos como a compra de 60 baralhos’’, diz João Graça. Ele diz ainda que a prefeitura comprou 250 mil pães de uma mercearia no ano passado, pagando R$ 0,14 a unidade, enquanto o preço de mercado não passava de R$ 0,06, o que representa um acréscimo de 150%. ‘‘Isso porque a prefeitura mantém uma panificadora municipal’’, ironiza o prefeito José Bisca. Também foi constatada a contagem de bananas e ovos por unidade: 55 mil unidades de banana e 229 mil ovos adquiridos.
No transporte escolar, Graça diz que a irregularidade começou no início da administração anterior, em 1993, com a dispensa de licitação para o serviço. ‘‘E no ano passado houve desvio de finalidade, quando em vez de transportar alunos, os prestadores de serviço declararam que tiveram de levar eleitores durante a campanha eleitoral’’.
Entre 95 e 96, a auditoria constatou que o custo do transporte aumentou em 107,63%, enquanto a variação da Ufir no período não passou de 24%. ‘‘O que foi gasto com transporte daria para aquisição de 16 kombis zero quilômetro’’, compara João Graça. Ele diz ainda que de abril a outubro do ano passado, os carros rodaram 43% a mais. ‘‘Isso equivale a 17 voltas ao mundo’’, calcula. (P.Z.)

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