A previsão de gastos da Prefeitura de Londrina com serviços terceirizados, só para o ano de 2007, revela uma evolução de até 100 vezes – ou 10.000% – sobre o valor gasto com as terceirizações em 2001, primeiro ano do primeiro mandato (2001/2004) do prefeito Nedson Micheleti (PT). Naquele momento, foram assinados cerca de R$ 501 mil em 11 contratos para serviços terceirizados. Este ano, em dados ainda não consolidados, já são mais de R$ 47,4 milhões em 42 contratos.
  Os valores atuais também já ultrapassam em quase R$ 20 milhões o que foi gasto com essa modalidade de contratação em todo o primeiro governo Nedson. Análise da FOLHA sobre números fornecidos oficialmente pela administração, anteontem, aponta que mais de R$ 31,8 milhões foram gastos em contratos celebrados nos quatro anos iniciais do petista. Por outro lado, até dezembro próximo, o Executivo afirma que deve consumir aproximadamente R$ 50 milhões nos contratos com empresas, ongs, oscips, associações e pessoas físicas e jurídicas contratadas via terceirização.
  A informação consta do requerimento protocolado pelo deputado federal Alex Canziani (PTB) no último dia 5. Pelo documento, desde 2001 foram celebrados 243 contratos para 26 tipos de serviços de terceirização – a maioria (15) celebrada após o início da gestão petista. Na apresentação resumida à imprensa, anteontem, o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, dissera que apenas o contrato de R$ 10,4 milhões/ano do fornecimento e produção de merenda escolar, de 2006, seria efetivamente criação do atual governo – os demais teriam sido adaptados à demanda.
  Antes da divulgação dos dados, a Prefeitura sustentava que cerca de R$ 259 milhões quitariam fornecedores – serviços de terceiros, sem possibilidade de execução pelo poder público municipal – e terceirizações, valor correspondente a 53% do orçamento executado em ano passado. Essa semana o secretário separou as duas planilhas, mas só divulgou, como pedia o requerimento, os R$ 50 milhões de terceirização.
  Conforme tabela anexa do documento, o maior salto dessas contratações, no primeiro mandato, ocorreu de 2002 (pouco mais de R$ 3 milhões) para 2003 (R$ cerca de
R$ 13 milhões), apesar de o valor mais alto, R$ 15,385 milhões, ter sido registrado em 2004 – ano em que Nedson foi reeleito para o cargo.
  O ano de 2005 registrou declínio: R$ 3,736 milhões com serviços terceirizados, mas o fôlego foi recuperado ano passado, com quase R$ 26,9 milhões em 31 contratos celebrados.
  O secretário argumentou que o incremento é explicado pela extinção das ilegais frentes de trabalho, conforme acordo firmado em 2001 entre Ministério Público, Ministério do Trabalho e Prefeitura. ‘‘Como acabaram definitivamente em 2004, muita gente saiu, mas acabou incorporada por empresas terceirizadas’’, justificou. Sobre a tendência de aumento, resumiu: ‘‘É essa, pois temos demanda crescente’’.

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