Garotinho se interna em hospital
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de maio de 2006
Alexandre Rodrigues<br> Agência Estado 
Rio - Depois de dez dias em greve de fome, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho foi internado em um hospital no final da tarde de ontem, mas afirmou que não vai encerrar o que classifica como
sacrifício. Recluso numa sala da sede regional do PMDB, no Centro do Rio, desde o dia 30 de abril, ele aceitou a recomendação de seu médico particular, Abdu Neme, e transferiu-se para um hospital particular da zona norte do Rio. No entanto, ao admitir a intervenção médica ao lado da mulher, a governadora Rosinha Matheus, e diante das câmeras, afirmou que pretende continuar sem comer no hospital.
Eu não tenho como não aceitar a orientação do médico, mas a greve não acabou. Ela só vai acabar quando a Justiça me der direito de resposta ao Globo e à revista Veja, disse Garotinho, referindo-se às denúncias relacionadas ao financiamento de sua pré-campanha. Um dos pré-candidatos à Presidência da República pelo PMDB, ele reafirmou que pretende ir à convenção do partido no próximo sábado. Eram 17h30 quando ele entrou com a mulher numa ambulância do Corpo de Bombeiros sob os aplausos de
militantes.
Neme informou que no hospital o Quinta DOr, em São Cristóvão serão tratados os efeitos nocivos do jejum prolongado ao organismo do ex-governador, mas que ele não será forçado a retomar a alimentação. Segundo o médico, Garotinho passará por uma reidratação intravenosa, com a aplicação de soro enriquecido com sais minerais. O médico, que cuida da família há 16 anos, pode ainda decidir pela aplicação de glicose, se for necessário. A intenção, segundo ele, é amenizar a desidratação, a pressão baixa e outras complicações, mas não vai suprir a carência calórica.
Vamos tratar as intercorrências. Ele continua em greve de fome, disse Neme, contradizendo a entrevista que tinha dado no dia anterior. Ao responder se aceitar a reidratação venosa não significava suspender tecnicamente a greve de fome, Garotinho disse apenas: Não sei, eu não sou médico. Em dez dias sem comer, Garotinho perdeu 6,2 quilos.
Mais cedo, o ex-governador frustrara os militantes reunidos na porta do edifício onde fica o PMDB, que esperavam o anúncio do fim da greve de fome. Garotinho apareceu na janela do oitavo andar e, com um microfone ligado ao carro de som, discursou para os correligionários negando que as empresas que o financiaram eram de fachada ou que as ONGs ligadas a elas tenham contratos suspeitos com o governo do Estado do Rio. Ele, mais uma vez, atacou a cúpula governista do PMDB, citando como sabotadores de sua candidatura os senadores Renan Calheiros, Ney Suassuna e José Sarney e o deputado Jader Barbalho.
Eles não nos vencerão. Vamos à convenção do PMDB. Estou debilitado fisicamente, mas lúcido o suficiente para saber quem são os inimigos do povo brasileiro. Estou disposto a dar a minha vida para derrotá-los, discursou, arrancando aplausos. A maioria dos manifestantes foi mobilizada por prefeitos do interior, fiéis a
Garotinho.


