Garotinho quer Ciro em seu governo
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domingo, 25 de outubro de 1998
Luiz Antônio Ryff Agência Folha 
O pedetista Anthony Garotinho, 38, é o virtual novo governador do Estado do Rio. Segundo a pesquisa de boca-de-urna do Datafolha, ele ficou com 58,5% dos votos válidos, enquanto Cesar Maia (PFL), que no final da tarde de ontem já admitiu a derrota, teve 41,5%. Mesmo antes das urnas serem abertas, Garotinho incorporou ao seu discurso a principal arma de seu oponente: o factóide, notícia nem sempre verídica, divulgada com o objetivo de causar impacto.
Ele anunciou que convidará Ciro Gomes, candidato derrotado à Presidência pelo PPS, para secretário da Fazenda. Mas admitiu que considera difícil
que ele aceite o cargo. Acho que ele não vai aceitar, mas o convite está feito.
Por sua experiência no Ministério da Fazenda, Ciro seria, para Garotinho, a melhor escolha para fazer a reforma fiscal que ele defende - que prevê redução de alíquotas de ICMS com o objetivo de aumentar a base de arrecadação. Garotinho disse que ainda não houve nenhuma conversa com Ciro, que está nos Estados Unidos, onde participa de um seminário, e não foi encontrado pela reportagem. Se ele aceitar, será um prazer para o Rio ter um homem da qualidade e da integridade do Ciro Gomes como secretário de Fazenda do meu governo, afirmou.
Pela manhã, Garotinho afirmou que, sendo cristão, acredita em milagres - no caso, uma derrota para Maia - e que, por isso, não cantaria vitória antes do tempo. Na casa da candidata a vice em sua chapa, Benedita da Silva, entretanto, ele se reuniu com a senadora e um pequeno grupo em uma prece de agradecimento a Deus. Juntos, entoaram a vitória é nossa pelo sangue de Jesus. Ele disse que fará um culto de ação de graças para agradecer a Deus por sua vitória e, hoje de manhã, irá à Central do Brasil agradecer ao povo.
Garotinho pretende montar um governo de transição na Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) Tem muitos investimentos que estão programados para o Rio agora. Instalando o governo de transição ali, a gente vai estar dando um sinal para esses investidores de que está tudo bem, que podem vir que não haverá problema nenhum, disse.
O grupo de transição será composto de 13 pessoas e será coordenado pelo advogado Hugo Leal (que fará o acompanhamento jurídico), pelo deputado federal eleito Jorge Bittar (que fará um levantamento das obras inacabadas) e pelo economista Tito Ryff (encarregado de estudar as contas e dívidas do Estado).
O atual governador do Rio, Marcello Alencar (PSDB), 73, disse que colocará à disposição do eleito toda a documentação necessária para a transição entre o seu governo e o próximo. Para Alencar, seu sucessor enfrentará problemas gigantescos, que terão que ser abordados com muita firmeza.
O governador afirmou que, ao votar, levou em consideração os interesses do Estado e de seu partido, mas não revelou qual candidato escolheu. O PSDB liberou seus militantes. Sou um homem que chega a uma idade bastante madura, mas vou continuar na política. Vou trabalhar pela união do partido, disse Alencar, anunciando que fará uma oposição não raivosa ao novo governador.
O candidato do PFL ao governo do Rio, Cesar Maia, disse que colocará sua bancada na Assembléia Legislativa do Estado à disposição do adversário Anthony Garotinho (PDT), virtual governador eleito. Maia reconheceu a derrota em uma entrevista concedida às 18 horas de ontem e parabenizou o adversário.


