O governador eleito do Rio, Anthony Garotinho, afirmou que as denúncias de suborno para a aprovação, pela Assembléia Legislativa, da privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) mostraram ser fundamental a realização de uma auditoria no Plano Estadual de Desestatização (PED) do governo Marcello Alencar. Essa foi uma promessa feita por ele durante a campanha eleitoral.
‘‘A população tem o direito de tomar conhecimento de tudo o que aconteceu e houve coisas muito suspeitas em processos como o do Banerj (Banco do Estado do Rio de Janeiro), por exemplo’’, disse ele, ao desembarcar ontem no Galeão, depois uma viagem de 15 dias de descanso.
Garotinho garantiu que o objetivo da auditoria não é o de reverter as privatizações. ‘‘Queremos tornar o processo transparente’’, explicou. ‘‘Se houve atos lesivos ao interesse público, os responsáveis devem ser punidos’’.
O governador eleito disse estar chocado com as denúncias e espera que a Assembléia Legislativa esteja empenhada em investigar o caso. ‘‘Esse escândalo envergonha a classe política e os políticos sérios têm a obrigação de investigar a fundo o caso, para punir os responsáveis e limpar o nome da Assembléia’’, apontou.
O governador está satisfeito com as ações na Justiça que vêm impedindo a realização do leilão da Cedae. ‘‘Seria um absurdo a venda, a menos de um mês do fim do mandato’’, afirmou, dizendo que seria difícil para o Estado devolver o dinheiro da venda da companhia, caso a privatização fosse considerada ilegal.
‘‘Vamos imaginar que o atual governo conseguisse fazer o leilão, recebesse os R$ 980 milhões do vencedor e usasse para pagar suas muitas dívidas’’, apontou. ‘‘Se a privatização fosse considerada ilegal ou inconstitucional, o Estado não teria como pagar de volta esse dinheiro’’.

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