Uma dívida de mais de R$ 20 bilhões receberá o novo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), em sua posse no cargo em 1 de janeiro de 1999. O débito é resultado da alta taxa de juros, durante os mais de quatro anos do Plano Real, e de operações financeiras realizadas pelo atual governo, como o empréstimo da Caixa Econômica Federal que garantiu o pagamento de compromissos previdenciários, trabalhistas e fiscais do Banerj, privatizado em 1997.
O passivo público fluminense, porém, é apenas parte do quadro financeiro adverso a ser enfrentado pelo pedetista. Os 480 mil funcionários do Estado consomem 78% da receita mensal média de R$ 500 milhões, e é provável que pelo menos o pagamento do 13º salário de 1998 atrase e fique para o novo governador.
O Rio assinou em junho a renegociação dos débitos com a União por 30 anos. Ficou acertado que a dívida será corrigida pelo IGP-DI e acrescida de juros anuais de 7,5%. Estão previstas ‘‘amortizações extraordinárias’’ de 10% da dívida mobiliária, na medida em que os títulos vencerem (a cada vencimento, paga-se 1/10 e rola-se o resto). A despesa anual com juros e amortizações não pode exceder 13% da receita corrente líquida.
No caso do Banerj, a Caixa Econômica Federal deixou à disposição do Estado R$ 3,9 bilhões para formar os chamados Fundos Garantidores dos Passivos Previdenciários, Trabalhistas e Fiscais.

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