Garotinho: governo Lula não tem ideologia
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terça-feira, 16 de agosto de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de apoiar a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PMDB), fez ontem duras críticas ao estilo de governo implementado pelos dirigentes petistas em janeiro de 2003. Garotinho disse que está decepcionado, mas não poderia dar voto de apoio ao oponente José Serra (PSDB), que representava a continuidade do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ''O Lula foi eleito pelos patriotas brasileiros que acreditavam que ele fosse implantar um modelo nacional de desenvolvimento. Lula por despreparo ideológico passou a governar pelos ideais dos traidores da Nação'', ponderou o ex-governador, que não esconde a pretenção de disputar em março as prévias do PMDB para poder se candidatar a presidente da República. Garotinho participou ontem da reunião do secretariado estadual com o governador Roberto Requião (PMDB).
Garotinho considera que o governo de Lula e Fernando Henrique Cardoso foram idênticos e não trouxeram o desenvolvimento econômico esperado pelos eleitores brasileiros. 'O Brasil hoje pena porque não tem um Plano Nacionalista de Desenvolvimento. Estamos sendo governados pelo mercado. A arma de um povo contra o descaso nacional é a consciência'', ponderou.
O ex-governador acredita que o ciclo da corrupção institucionalizada no governo Lula só possa ser rompido com coragem. ''Só conseguiremos mudar o que está aí no momento em que tivermos um governo capaz de isolar os setores comprometidos com o capital internacional. Estão claramente envolvidos com as administrações internacionais: a mídia, o banco e os setores exportadores. É por isso que o mercado interno não se desenvolve, a renda se concentra e a pobreza aumenta'', pontuou. Garotinho elogiou os chamados ''petistas sonhadores'' aqueles que estariam decepcionados com a atual gestão Lula. Seriam os casos dos senadores Eduardo Suplicy (SP) e Cristovam Buarque (DF), que até cogitam deixar o PT.
''Tenho o maior respeito pelos petistas sonhadores. Mas não tenho pelos petistas dirigentes que levaram os sonhadores a acreditar num governo de mudanças. A marca do PT hoje é a 'roubobras'. Eu não sou idiota em acreditar que Lula não sabia. Ele sabia sim de tudo o que acontecia no governo dele. Tenho pena dos petistas históricos. Eles não têm culpa do que fizeram os abutres da política como José Dirceu e José Genoíno'', discursou.
Garotinho que até recentemente ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro é a favor da imediata reforma política e partidária. ''Antes de tirar os direitos dos aposentados e pensionistas, o governo Lula teria que ter aprovado a reforma política e partidária. Isso teria cortado o mensalão pela raiz. O PT não quis isso. Essa direção do PT é podre e apodreceu o governo. Contaminou o presidente e temos que acabar com ela definitivamente'', complementou. Garotinho se disse favorável ao controle das contas dos partidos, fidelidade partidária e veto do uso de trucagem de imagem nas campanhas eleitorais. Ele é contra a chamada lista de partidos, que faria com que os partidos pudessem ter apenas votos de legenda sem verificar a capacidade de cada governante.
O ex-governador que se diz socialista democrático se colocou a favor da reforma urbana no Brasil e fez pouco caso da reforma agrária, que teria que ser feita junto com uma reforma agrícola. Ele conquistou simpatizantes ontem na reunião semanal do secretariado de Requião ao dizer que é contra a produção e venda dos transgênicos, defendendo pesquisas antes da liberação do produto para consumo humano.


