O governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), conseguiu anteontem uma liminar na Justiça, impedindo a divulgação de conversas gravadas em que, de acordo com o jornal ‘‘O Globo’’, ele apareceria aprovando o pagamento de propina a um fiscal da Receita Federal.
A informação foi divulgada pela Assessoria de Imprensa do Palácio Guanabara, anteontem à noite. A juíza da 1ª Vara Cível do Tribunal de Justiça (TJ), Daniela Affonso Ferro Rodrigues Alves, que concedeu a liminar, proibiu ‘‘O Globo’’ de publicar a transcrição das fitas e a Rede Globo de Televisão e a Rádio Central Brasileira de Notícias (CBN) de veicularem cópias das gravações.
A juíza alegou que os registros foram obtidos por meios ilícitos. ‘‘Interceptação e divulgação de comunicações telefônicas constituem lesão a um direito constitucionalmente garantido’’, escreveu Daniela Alves na decisão.
‘‘O Globo’’ havia prometido para ontem a divulgação da transcrição das fitas, segundo uma publicidade exibida na TV. Garotinho não quis revelar a origem dos R$ 180 mil com os quais foi aumentado o capital da Garotinho Editora Gráfica, empresa que promovia os sorteios que ele protagonizou em 1995 – nos programas de rádio e TV – e que, agora, estão sob suspeita de fraude.
Segundo Garotinho, ‘‘no momento oportuno’’, a informação será passada à Receita Federal, que investiga se o aumento foi real ou fictício.
Ontem, o presidente nacional do PSB e ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes, saiu em defesa de Garotinho. Ele disse que as acusações só interessam a ‘‘forças poderosas de dominação a serviço dos interesses estrangeiros’’.

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