O candidato a governador do Rio pelo PDT, Anthony Garotinho, comparou ontem seu adversário, o pefelista César Maia, a um ‘‘traficante de drogas’’ pelo fato de ter divulgado o conteúdo de uma escuta telefônica clandestina para prejudicá-lo na campanha. ‘‘Qual é a diferença entre um traficante de drogas e traficante de informação?’’, questionou Garotinho. ‘‘É tudo a mesma coisa’’, completou, durante um encontro à tarde com parlamentares e militantes. Horas antes, o pedetista, em visita à Pontifícia Universidade Católica (PUC), foi vaiado por estudantes. Maia também atacou. Segundo ele, Garotinho cometeu uma ‘‘manobra típica de ‘‘gângster’’ pelo fato de ter transferido parte de seu patrimônio para seus filhos.
‘‘Olha o que aconteceu com o Collor’’, declarou Maia. ‘‘Quantas vezes o Lula foi à TV denunciá-lo com documentos e ninguém deu bola? Quem pagou essa amarga conta foram os trabalhadores’’, completou, comparando Garotinho ao ex-presidente Fernando Collor, que derrotou o petista Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, e sofreu impeachment em 1992. Em debate na última sexta-feira na rádio CBN, Maia questionou a veracidade da declaração apresentada por Garotinho ao TRE em que o pedetista afirma ter apenas R$ 18 como patrimônio. O candidato do PDT explicou que parte de seu patrimônio, como a casa onde mora em Campos, é de propriedade de seus sete filhos.
César Maia, que passou a manhã em estúdio gravando seu programa eleitoral, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que poderá fazer novas denúncias caso seja provocado. O candidato do PFL disse que tem em seu poder outras 19 fitas-cassete com informações que levantam questões como lavagem de dinheiro e contatos com doleiros envolvendo o pedetista.
Ontem à noite, eles se enfrentariam novamente num debate promovido pela TV. No debate de rádio, Maia divulgou o conteúdo de uma fita com a gravação de uma conversa em que Garotinho negocia com o ex-deputado Augusto Ariston a compra de uma rádio por R$ 300 mil.

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