Rio de Janeiro - O candidato do PSB à Presidência, Anthony Garotinho, classificou ontem de ‘‘cinismo’’ a afirmação do presidenciável do PSDB, senador José Serra, de que a aliança em torno da candidatura tucana é a ‘‘única força capaz de garantir a estabilidade, o crescimento e a geração de emprego’’ no Brasil. O socialista responsabilizou a política econômica oficial pelos problemas que a economia do País tem enfrentado e lembrou que o parlamentar é o candidato do governo.
Irônico, Garotinho ressaltou que o problema do País não é conjuntural, mas estrutural, e não depende de uma eleição. ‘‘Mas não é o governo dele?’’, disse Garotinho, durante gravação do programa ‘‘Deles e Delas’’, na Central Nacional de Televisão (CNT), em São Cristóvão, na zona norte da capital fluminense, quando lhe perguntaram o que achava da declaração. ‘‘Isso é o maior cinismo que pode existir. Porque eles (integrantes do atual governo) é que levaram o País a esta situação. Quem está no governo é o Serra, a crise da moeda é o Serra.’’ Depois, em conversa com jornalistas, o socialista voltou a atacar o tucano. ‘‘O Serra é um bom humorista’’, declarou.
Garotinho garantiu que a redução na taxa de juros que defende não seria feita abruptamente, mas em rodadas de ‘‘0,25%, 0,30%’’, de modo a sinalizar para o mercado que essa seria a política oficial. Ele disse ainda que não é populista, atribuiu o rótulo a jornalistas e intelectuais, voltou a atacar os bancos - segundo ele, quem mais ganha dinheiro com o modelo econômico - e procurou se diferenciar dos petistas. ‘‘Diferentemente do PT, que tem um projeto corporativo, quero ser presidente de todos os brasileiros’’, afirmou.
O candidato criticou a estratégia de marketing do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que o petista tenta passar para o público algo que não é na realidade. ‘‘Está vendendo um Lula que não é o Lula, é o Dula’’, brincou, numa mistura de nomes do adversário com o do marqueteiro dos petistas, Duda Mendonça. E debochou: ‘‘Vamos imaginar que o Lula vença a eleição, e a haja uma reunião do Conselho Monetário Nacional. A Maria da Conceição Tavares quer desvalorizar a moeda, e o Aloizio Mercadante é contra. Aí vão ao Lula, para saber o que fazer. Ele vai, sai da sala e pergunta: ’Duda, o que é que eu faço?’’’
Garotinho minimizou o resultado da última pesquisa Ibope, que o mostrou em terceiro lugar, com 13% das intenções de voto. Ele lembrou que a sondagem Datafolha, divulgada no domingo, lhe dera 16%, e atribuiu a diferença a ‘‘problemas de metodologia’’.

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