Rio - O secretário de Governo e Coordenação do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), que vinha evitando dar declarações sobre a crise política no governo federal, atacou duramente ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e falou de si mesmo como futuro presidente do Brasil. Segundo ele, a corrupção no atual governo ''é 500 vezes maior do que no do (ex-presidente Fernando) Collor (que renunciou em 1992, acossado por um processo de impeachment)'', mas que o presidente ''não irá cair porque as elites estão ganhando muito dinheiro com ele''. ''O PT sempre foi a esquerda que a direita gosta'', afirmou, citando o ex-governador Leonel Brizola (morto em 2004).
Durante as duas horas do seu programa semanal de rádio, ''A Hora da Verdade'', Garotinho , em algumas vezes, declarou-se como única alternativa ''aos políticos de São Paulo'' - como se referiu aos ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao governador Geraldo Alckmin e ao prefeito José Serra, todos do PSDB, e ao presidente Lula.
''Eu sou o único que aparece nas pesquisas com condições de concorrer e ganhar '', disse ele. O secretário se apresentou como pré-candidato à presidência pelo PMDB, embora reconheça que o partido está rachado. E disse ter protocolado uma representação junto à Comissão de Ética peemedebista pedindo a exclusão dos ministros peemedebistas recém-empossados, Helio Costa (Comunicações) e Saraiva Felipe (Sa©úde).
Para Garotinho, novas denúncias ainda vão surgir, tornando a situação insustentável para a reeleição de Lula. ''Eu não posso adiantar porque não tenho provas, mas os jornais já começam a falar indiretamente de um assunto que, quando estourar, não vai ter como segurar'', afirmou, misteriosamente.
Ele criticou Lula e os ex-candidatos a presidência Ciro Gomes (na época, no PPS, hoje no PSB) e José Serra (PSDB) por terem recebido doações de banqueiros. ''A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) quis doar dinheiro para minha campanha, e, mesmo precisando, não aceitei''. ''Se não amanhã, quando eu chegar na Presidência da República, não poderia tomar as medidas que terei de tomar contra o sistema financeiro'', justificou.

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