Wilson Tosta
Agência Estado
O governador eleito do Rio, Anthony Garotinho (PDT), assumirá sexta-feira um Estado que considera quebrado, de ‘‘cofre raspado’’ - sem dinheiro em caixa - e com déficit mensal de R$ 100 milhões, embora com salários em dia e uma receita de mais de R$ 500 milhões. O futuro chefe do Executivo já avisou que, com o objetivo de superar a crise, baixará decreto em 2 de janeiro suspendendo por 60 dias pagamentos a empreiteiros e fornecedores e fixará o teto salarial dos servidores em R$ 9,6 mil, com o que espera sair do vermelho para um superávit de R$ 60 milhões/mês.
Os números divulgados até agora por Garotinho e sua equipe mostram que, só com o pagamento de salários, o Estado gasta, por mês, cerca de R$ 440 milhões - quase 79% de sua receita mensal. O custeio leva mais R$ 110 milhões, e o pagamento da dívida, R$ 70 milhões. Somadas, as despesas estaduais chegam a R$ 620 milhões mensais, contra uma arrecadação média de pouco mais de R$ 520 milhões. A própria renegociação dos débitos com a União - que em janeiro deverão chegar a R$ 20 bilhões -, ainda não aprovada pelo Senado, é considerada pelo novo governo uma armadilha, por destinar 13% da receita para a amortização das parcelas.
Quarenta e quatro por cento dos cerca de 460 mil funcionários são inativos (aposentados) e pensionistas, consumindo 36% da folha. Apesar de a maioria dos servidores ganhar salários baixos, uma elite do funcionalismo recebe altas remunerações. Mais de 2 mil pessoas ganham mais de R$ 9,6 mil. A maior média salarial é do Ministério Público Estadual: R$ 8,2 mil. Em seguida, vêm o Tribunal de Contas do Estado (R$ 6,5 mil), o Poder Legislativo (R$ 4,7 mil) e o Judiciário (R$ 4,3 mil). As cifras contrastam com a média do Executivo: R$ 813.
Situação Garotinho acusa o atual secretário da Fazenda, Marco Aurélio Alencar, de ter ordenado a seus subordinados que ‘‘zerassem’’ o cofre em dezembro, quitando dívidas do Estado. Com isso, argumenta o futuro governador, sua administração enfrentará grandes dificuldades nos primeiros dias de janeiro, podendo inclusive atrasar o pagamento dos salários. Alencar, porém, alega que a afirmação não é verdadeira.

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