Garotinho anuncia demissões e quer reduzir 30% da folha
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Agência Estado 
O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), reuniu-se ontem com a secretária de Administração Federal, Claudia Costin, e confirmou que vai reduzir em 30% as despesas com pessoal na administração direta. Na próxima quinta-feira, ele baixará normas administrativas para a redução de R$ 50,5 milhões para cerca de R$ 20 milhões as despesas com prestadores de serviços e contratos de pessoal por meio de empresas terceirizadas.
Garotinho também estuda colocar em disponibilidade servidores do Estado e demitir funcionários ociosos. Na área de custeio, Garotinho quer reduzir as despesas do patamar de R$ 158 milhões - onde estão incluídos os gastos com prestadores de serviços e contratos terceirizados de pessoal - para R$ 50 milhões até o mês julho. Ontem ele descreveu a situação financeira do Estado como dramática para Claudia Costin.
Vou estabelecer uma economia de guerra, afirmou o pedetista. O Estado tem uma arrecadação de cerca de R$ 500 milhões e uma despesa com a folha de pagamento de R$ 410 milões. Somando o custeio, dívida e repasses, tenho um déficit mensal de R$ 168 milhões. Garotinho apresentou à secretária um relatório sobre os gastos com custeio e com a folha de pagamento e pediu apoio para a transferência de R$ 4,2 bilhões - recursos de um empréstimo para cobrir o passivo previdenciário e trabalhista do antigo Banerj, arrematado em 1997 pelo Itaú em leilão de privatização - para o caixa do Rio-Previdência, fundo previdenciário criado por ele recentemente.
Oposição Um documento elaborado no fim de semana ameaça reascender no PT do Rio a briga entre os moderados da articulação e os radicais dos grupos de esquerda, pelo controle da seção fluminense da legenda, dividida entre a participação e a oposição ao governo de Anthony Garotinho (PDT). No texto, intitulado Organizar O Partido Para Derrotar FHC, a esquerda faz duras críticas ao governo do pedetista, considerado convencional e muito parecido com os dos antecessores, e ataca a direção nacional do partido, pelo suposto imobilismo frente à crise econômica.
No documento, os militantes ressaltam que estiveram ausentes do centro da disputa política do Estado em razão da intervenção externa e autoritária que se abateu sobre o PT-RJ em 1998, quando a candidatura a governador do ex-deputado Vladimir Palmeira, ligado à esquerda, foi cassada pela cúpula nacional, que impôs o apoio ao PDT.


