São Paulo - Enquanto os candidatos a presidente José Serra (PSDB-PMDB) e Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB) polarizam as atenções na publicidade eleitoral gratuita, o candidato Anthony Garotinho (PSB) pode estar correndo por fora. Mesmo com espaço de tempo reduzido na televisão e pouca infra-estrutura de produção para o programa, dois analistas políticos ouvidos pela Agência Estado não descartam a possibilidade de crescimento de Garotinho, a partir da publicidade eleitoral gratuita.
''Ele é muito bom como comunicador'', disse o cientista político Rogério Schmitt, especializado na análise da propaganda política. O pesquisador Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, também acredita que ele não pode ser descartado.
Guardadas todas as diferenças entre uma eleição e outra, Teixeira lembrou que o atual candidato a senador Orestes Quércia (PMDB-SP) ganhou a eleição para o governo estadual, em 1986, quando a disputa parecia estar entre os então candidatos Paulo Maluf (PPB) e Antônio Ermírio de Moraes (PTB), que trocaram todo o tipo de acusação no horário gratuito.
Até agora, afirmam os analistas, quem se favorece com a polarização entre Ciro e Serra, em busca de uma vaga para o segundo turno da eleição, é o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Livre de ataques e sem preocupação de contra-atacar, ele oferece uma publicidade eleitoral de TV centrada em propostas, mas Schmitt advertiu que há perigo nisso.
''À medida que centralizam a discussão, Ciro e Serra podem crescer, tirando pontos de Lula'', disse. Sobre o efeito junto ao eleitorado da estratégia adotada pelo candidato da Coligação PSDB-PMDB a presidente, o pesquisador da FGV e da PUC de São Paulo disse: ''Quem ataca e quem se defende do ataque sofrem desgaste.''

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