Rio O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PSB) abriu uma crise entre seu partido e o PT por dizer que vai ''desinfetar o Palácio Guanabara'', sede do governo fluminense, antes que sua mulher, Rosinha Garotinho, o assuma no lugar da petista Benedita da Silva. Como Benedita é negra, o PT acusou Garotinho de racismo, e entidades do movimento negro anunciaram que vão processá-lo.
O presidente do PT-RJ, Gilberto Palmares, e seu líder na Assembléia Legislativa, Chico Alencar, exigiram, por escrito, explicações do comando dos socialistas.
O confronto pode se refletir na aliança de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Isso é parte da estratégia de Garotinho para disputar a Presidência em 2006'', disse Alencar, que enviou carta ao presidente do PSB-RJ, Alexandre Cardoso. No texto, o petista expressa ''profundo desagrado'' com as afirmações ''levianas e caluniosas'' de Garotinho. ''Desinfetar (...)'', diz, ''é livrar do pestilento, limpar sujeira, eliminar mau cheiro, destruir micróbios. A frase de efeito, inconsequente, choca ainda mais quando se pode inferir dela alguma eiva racista.'' Na carta, o deputado do PT lembrou que está sendo comemorada no Brasil a Semana da Consciência Negra.
Alencar afirmou esperar um ''gesto elegante'' do PSB para que o incidente seja superado, já que Garotinho é uma ''figura exponencial'' do partido, o que confere peso a suas declarações. ''Estamos dando ao PSB a chance de se retratar para se recompor conosco'', declarou o deputado, que destacou que o episódio é ''incômodo'' e ''abre uma crise entre os partidos''. Segundo ele, é possível que ao longo dos próximos quatro anos problemas semelhantes em relação ao PT sejam protagonizados por Garotinho.

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