Brasília - Em mais um sinal de que a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado avança a cada dia dentro do PMDB e na oposição, o atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), admitiu pela primeira vez que pode desistir de concorrer à reeleição. Garibaldi não confrontará internamente com Sarney, mas já avisou que o partido terá que retirá-lo oficialmente da disputa, de forma a afastar qualquer suspeita de que ele estaria apenas ''guardando a cadeira'' para Sarney.
Um dirigente do PMDB que acompanha cada lance da sucessão do Senado diz que a saída de cena de Garibaldi deve vir em uma ''operação casada'' para evitar disputa na base aliada, retirando a candidatura do petista Tião Viana (AC).
Diante das especulações de que Sarney teria um encontro reservado com Lula ontem à noite no Palácio da Alvorada, Garibaldi telefonou para Sarney na esperança de antecipar uma definição do correligionário. Não teve sucesso.
Um interlocutor de Sarney afirma que ele está disposto a assumir para o presidente Lula seu desejo de ser o nome de consenso para presidir o Senado. A expectativa geral era de que houvesse um chamado de Lula a qualquer momento. Segundo este peemedebista, no entanto, o senador atuou nos bastidores, junto ao Planalto, para evitar uma conversa à sós com o presidente, por conta do clima que ''o PT criou'' em torno do encontro.
O dirigente do PMDB argumenta que os petistas passaram a semana falando em ''enquadrar Sarney e tirar dele uma definição''. A avaliação da cúpula peemedebista é que, nestes termos, o encontro seria inconveniente aos dois. O raciocínio neste caso é o de que um ex-presidente não pode ser ''enquadrado'' e um presidente da República não pode sair da conversa com um senador sem uma definição.
Em campanha ostensiva de bastidor, Sarney trabalha para ser candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas vem ganhando terreno na oposição, por conta das dúvidas jurídicas que pairam sobre a candidatura de Garibaldi. A Constituição proíbe a reeleição de presidente do Senado, mas Garibaldi argumenta que é um caso à parte, porque cumpre apenas um mandato tampão de um ano, depois da renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
No encontro reservado que teve com o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), por exemplo, Sarney não colocou explicitamente sua candidatura, mas agiu o tempo todo como candidato. Tanto que Tasso saiu convencido de que Sarney quer a presidência do Senado. Um dirigente tucano diz que, se o impedimento legal à reeleição de Garibaldi for resolvido, PSDB fica com Garibaldi. Mas um dirigente do DEM diz que o partido, com o Palácio do Planalto, já recebeu sinais de que a tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) é derrubar esta candidatura.

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