Garibaldi: lesados esperam indenização
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Passados onze anos da liquidação do Consórcio Nacional Garibaldi, as vítimas que foram lesadas num valor total aproximado de R$ 36 milhões ainda não foram indenizadas. Elas aguardam o pronunciamento da Justiça Federal para receberem os valores investidos. Todos os que entraram em ações coletivas na Coordenaria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) contra os administradores da empresa aguardam a condenação dos ex-diretores para que o dinheiro depositado em fiança (cerca de R$ 5 milhões) seja liberado.
É o caso da auxiliar de enfermagem Telma de Jesus Zanon, de 37 anos. Ela e o marido, o técnico em refrigeração Evandro Joel Werner, de 38 anos, compraram o consórcio de uma motocicleta em Porto Alegre (RS). Eles optaram em não retirar o bem até o final do consórcio. Depois de quitar a última parcela em 1994, eles pediram a moto. ''Eles disseram que não tinham e que estavam em processo de concordata. Eu achava que a empresa era séria porque tinha uma personalidade pública entre os diretores. Nunca imaginei que seria assaltada desta forma'', disse ela, ainda revoltada.
Telma disse que o escritório do Consórcio tinha fotografias do ex-deputado estadual Antonio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia (PP), preso no dia 9 de novembro do ano passado acusado de gestão fraudulenta. Ele ficou preso por 76 dias e saiu acusando políticos paranaenses de perseguição. A estimativa é que mais de mil pessoas tenham sido lesadas pelo consórcio. ''Nós denunciamos em Curitiba mas já desanimamos. Nunca mais fomos ver como estava o processo'', declarou Telma, que recebe R$ 500 por mês. O marido, Weber, está desempregado e faz trabalhos extras. ''O dinheiro da moto faz muita diferença para nós'', lamentou Telma. Atualmente, a moto comprada pelo casal valeria entre R$ 5,5 mil e R$ 6 mil.
O Ministério Público (MP) federal orienta os consumidores que ainda não entraram com ações cíveis pedindo o ressarcimento dos valores que procurem imediatamente o Procon para agilização do procedimento judicial. Entretanto, a assessoria de imprensa informou que a tramitação deverá ser lenta e que qualquer decisão da Justiça Federal será passível de recurso. Quem tem processo tramitando, deverá ficar atento às setenças judiciais.


