Kraw PenasLenha na fogueiraGarcia na reunião com o deputados:‘‘Não tenho razão para pedir ao governador exoneração do cargo’’Aumentou a crise política entre o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid - Neco Garcia -, e a Assembléia Legislativa. Convocado às pressas pelo Palácio Iguaçu, Garcia viajou de Londrina para uma audiência com os deputados estaduais, ontem à tarde, no gabinete do presidente da Casa, Aníbal Khury (PFL), em Curitiba. O presidente do banco não recuou e voltou a afirmar que existem parlamentares do Paraná que não pagam seus débitos junto ao Banestado. A audiência era para que Neco Garcia pedisse desculpas aos deputados, colocando um ponto final no mal-estar com o Legislativo. No início da noite, o staff do governador Jaime Lerner (PFL) reuniu-se novamente com Aníbal Khury para avaliar os desdobramentos da crise.
A Assembléia analisa hoje requerimento de Edgar Bueno (PDT) pedindo cópia da relação, mantida sob sigilo. Khury garante que o pedido será atendido, e defendeu a renúncia de Neco Garcia.‘‘Quem não deve neste País? O incidente com a Assembléia está contornado, mas o clima entre o presidente do Banco e os deputados não é amistoso’’, admitiu. Furioso com as declarações dadas na terça, quando também foi acusado no bolo de contribuir para o rombo do Banestado, Khury chegou a sugerir pela manhã o afastamento do dirigente e obstrução à lei da privatização do banco. O deputado classificou Garcia como um ‘‘executivo sem vivência política ou bancária, que extrapola nas horas mais impróprias’’.
Neco Garcia devolveu. Ao sair da audiência, por volta das 16 horas, disse aos jornalistas que não vai deixar a função a menos que o governador Jaime Lerner (PFL) peça sua demissão. ‘‘O Aníbal deixou a emoção, para ficar com a razão. Eu não tenho motivo para pedir exoneração’’, repicou, numa reação às ameaças feitas pela manhã pelo presidente da Assembléia. ‘‘São mais de um e menos de vinte. Os devedores são deputados estaduais e federais’’, garantiu o presidente do banco, que diz ter entregue a lista dos ‘‘maus pagadores’’ ao secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. ‘‘Eu não quis ofender os deputados, mas tenho uma missão importante de recuperação dos créditos’’, disparou. Segundo ele, o Banco Central exige a execução das dívidas sem privilegiar ninguém. ‘‘Se fosse a minha mãe, eu também estaria cobrando do mesmo jeito’’, assegurou diante dos deputados que acompanharam a tensa audiência de Neco Garcia com o presidente da Assembléia.
Neco Garcia citou ainda como exemplos, os supostos débitos dos deputados federal do PPB, Dilceu Sperafico, e do estadual do PMDB, Orlando Pessuti (leia mais nesta página). O de Sperafico foi colocado em público, diante da imprensa, e o de Pessuti, durante a conversa reservada. As declarações aumentaram ainda mais a revolta dos deputados. ‘‘Esse Neco é um mentiroso’’, gritava Duílio Genari (PPB), em defesa de Sperafico. ‘‘Por que o senhor não apresenta a lista completa dos inadimplentes, não apenas da oposição, mas também da situação, incluindo o Algaci Tulio (vice-prefeito de Curitiba), e os secretários de Estado?’, cobrou Ângelo Vanhoni (PT). O petista diz que ao invés de um ponto final, as manifestações do presidente do Banco estão ‘‘10 vezes mais graves’’.
Até o líder do governo, Valdir Rossoni (PTB), sentiu-se ofendido com as declarações de Garcia. Ele e o secretário geral da Assembléia, Luiz Carlos Martins, aproveitaram o momento para se comprometerem em público a quebrar sigilo bancário de suas contas. Há uma preocupação entre os deputados que buscam à reeleição com os reflexos negativos que a pecha de maus pagadores pode gerar. ‘‘Agora, estão querendo justificar a quebra do Banestado com dívidas de três ou quatro deputados’’, esbravejou o líder do PPB na Assembléia, Augustinho Zucchy.

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