Tony Garcia (PPB) e Paulo Pimentel (PMDB) estão em pé de guerra há semanas. Garcia viu nas aposentadorias recebidas por Pimentel o Tendão de Aquiles do adversário, bem como acusa o peemedebista de se valer da televisão e dos jornais de sua propriedade, para tirar proveito próprio. Pimentel, por sua vez, acusa o candidato do PPB de ser o responsável pelo prejuízo financeiro amargado pelos associados do antigo Consórcio Garibaldi, estimado em R$ 40 milhões, e ainda de usar o nanico PTC como um ''laranja'' para beneficiar sua candidatura.
Os dois se defendem como podem. Pimentel não admite as aposentadorias como ex-governador, ex-deputado federal e como segurado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Folha conseguiu confirmar as aposentadorias de Pimentel como ex-governador e como ex-deputado, mas não os valores que são pagos pelos cofres públicos. O INSS não dá esse tipo de informação sem um pedido formal por escrito. A assessoria de Pimentel promete detalhar, amanhã, os benefícios que o candidato recebe.
Os advogados de Garcia afirmam que o deputado não participou do Consórcio Garibaldi, e rechaçam a propaganda do PMDB que coloca uma foto de Garcia atrás de grades. ''Nunca fui sócio desse consórcio e nunca tive ligação com ele. A única coisa que aconteceu é que eu era eu muito amigo de um dos donos do consórcio, que infelizmente morreu'', afirmou Garcia.
O capítulo mais recente na novela entre os dois aconteceu esta semana. O procurador eleitoral João Gualberto Garcez Ramos pediu na terça-feira a cassação das candidaturas de Roberto Requião e Pimentel ao Senado. Ramos deu parecer favorável a uma representação movida pelo candidato ao Senado pelo PTC, Rogério Miranda de Mello, que acusa os peemedebistas de cometerem abuso de poder econômico e utilização indevida de meios de comunicação que pertencem a Pimentel.
O partido do senador Roberto Requião entrou com uma representação contra o PTC, acusando-o de ser uma sigla de aluguel a serviço do pepebista. ''Somos um partido independente, querendo melhorar o País. Já fui acusado de ter ligações com o Tony Garcia, o Alvaro Dias (PDT) e Edésio Passos (PT), mas sou candidato porque acho que posso dar minha contribuição para o Paraná'', explicou Mello.
''Só vou respondê-lo no horário eleitoral dele. Não vou cair na mesma baixaria'', disse Garcia na sexta-feira. O pepebista perdeu a conta de quantos direitos de resposta e ações contra Pimentel foram alinhavadas por seus advogados.
A assessoria de Pimentel informou ainda que o ex-governador não pretende continuar o bate-boca com Tony Garcia. Segundo a assessoria, o concorrente (Garcia) quer tentar, com as acusações, desmoralizar o adversário. (Com Leandro Donatti)

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