Garcia desiste de concorrer ao Senado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de agosto de 1998
Leandro Donatti 
O empresário Tony Garcia (PPB) não é mais candidato ao Senado. O anúncio foi feito ontem pelo pepebista, em Curitiba. Em vez do Senado, Garcia informou que vai disputar uma das cadeiras da Assembléia Legislativa. A candidatura de Garcia ao Senado durou 30 dias. A decisão de abortá-la foi tomada no último final de semana e causou descontentamento na cúpula do PPB no Estado. O presidente do partido, deputado federal José Janene, disse ontem que, com a desistência, o candidato oficial do PPB ao Senado passa a ser o ex-governador Álvaro Dias (PSDB).
As razões que levaram o empresário a recuar são uma incógnita. Garcia alegou que pressões de Brasília, em favor de Álvaro, o fizeram repensar. O pálido desempenho eleitoral verificado nas pesquisas de opinião também teria influenciado na decisão. Nossa candidatura saiu a fórceps e não fluiu naturalmente. Setores do PFL e do PTB também me bombardearam ao tentar oficializar apoio ao Álvaro, considerou. Tony Garcia garantiu que, ao contrário do comando estadual, não pretende subir no palanque do ex-governador.
O naufrágio da candidatura do PPB mexe no tempo dos candidatos ao Senado no programa eleitoral gratuito, que estréia no dia 18. Garcia tinha o segundo maior tempo, depois de Nedson Micheleti (PT), 2min07seg. O seu tempo será rateado proporcionalmente pelos outros cinco candidatos. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná só vai refazer o cálculo depois que Garcia oficializar sua saída do páreo e protocolar registro como candidato à Assembléia.
Vaga para concorrer como candidato a deputado tem de sobra no PPB. Com a desistência de Edson Silva Lino - oficializada na segunda-feira - aumentou para quatro o número de vagas livres. Garcia negou que tenha negociado com o deputado para abrir espaço. Não quis ser problema para o presidente. Quero construir meu o caminho primeiro por aqui (Paraná) para não ser confundido como oportunista político que aparece somente em época de eleição. Foi apenas isso, discursou.
A renúncia de Tony Garcia frustrou Janene, apesar do deputado avaliar que o deslocamento para a disputa proporcional engorda a legenda do PPB no Estado. Janene não escondeu seu descontentamento. O PPB passou por um período não dos mais férteis. Primeiro nos engajamos num processo de coligação com o Álvaro e agora ficamos fora de vez da disputa majoritária, comentou. Para o dirigente, o momento é de passar uma borracha em tudo e o PPB começar a assumir Álvaro como o candidato do grupo.
A desistência de Garcia e o discurso de Janene foram comemorados pelo comando da campanha do ex-governador Álvaro Dias. Antes de embarcar para Brasília - onde manterá contatos políticos - Álvaro declarou que a decisão do PPB não vai alterar o ritmo de sua campanha. Nunca escolhi adversários e vou continuar percorrendo o Estado, numa campanha sem ataques e sem agressões, prometeu. Na sua avaliação, boa parte das lideranças do PPB já o apoiava e que agora a adesão tende a aumentar.


