Garcia denuncia militares paraguaios
Uma entrevista concedida pelo presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia, durante a ExpoLondrina 98, e publicada segunda-feira pelo jornal ABC Color, de Assunção, pode repercutir nos meios diplomáticos brasileiro e paraguaio. Neco Garcia acusou o general Lino Oviedo de atuar politicamente na concessão irregular de empréstimos junto ao Banco Del Paraná, o braço do Banestado no Paraguai. Oviedo foi sentenciado a dez anos de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, sentença confirmada semana passada pela Corte Suprema de Justiça, o que inviabilizou sua candidatura à presidência pelo Partido Colorado.
Questionado pelo enviado especial do ABC, Julio Benítez Díaz, em torno das implicações que a candidatura Oviedo poderia acarretar à economia do Brasil, o presidente do Banestado disse que o Del Paraná também foi uma das vítimas. Quando o general tinha seu poder político junto ao ex-diretor do banco César Rodriguez, trouxe prejuízos muito grandes à entidade devido à concessão de muitos empréstimos e também a muitos militares, que não cumpriram suas obrigações, afirmou.
O presidente do Banestado não quis, na entrevista, fornecer números sobre os prejuízos nem os nomes dos militares que receberam os empréstimos sem as garantias suficientes, exigidas inclusive pelo Banco Central do Paraguai (BCP). Garcia relatou ainda que a movimentação sem parâmetros dos fundos pertencentes à instituição financeira resultou na demissão do então diretor de César Rodriguez, acionado na Justiça.
Quando esteve no Paraguai, durante a semana, para participar da assembléia do banco, o presidente do Banestado prometeu à reportagem do ABC que, quando dispuser de mais dados, divulgará o montante dos empréstimos concedidos aos militares.
Neco Garcia disse que a condenação de Oviedo pela Justiça devolveu a normalidade ao empresariado brasileiro. Para os olhos dos brasileiros, a eleição do general Oviedo iria trazer uma desconfiança muito grande até no país. Ninguém confia em pessoas que não respeitam as liberdades democráticas e a leis, assinalou.





