Curitiba As emissoras de televisão e os jornais que integram o grupo Paulo Pimentel não poderão mais veicular notícias que citem o candidato ao Senado Tony Garcia (PPB). O pepebista conseguiu uma liminar, expedida pelo juiz da 18 Vara Cível de Curitiba, Carlos Eduardo Andersen Espíndola, proibindo os jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná e as emissoras de TV Iguaçu, Tibagi, Naipi e Cidade, ''de fazer qualquer tipo de comentário calunioso, difamatório e/ou injurioso'' sobre Garcia.
Se a decisão for descumprida, Pimentel, que também disputa uma vaga ao Senado pelo PMDB, terá que pagar multa diária de R$ 20 mil. A cada nova publicação similar a multa sobe para R$ 50 mil.
A briga entre Pimentel e Garcia vem se acirrando nas últimas semanas, por causa da disputa por uma das duas vagas que o Paraná tem direito no Senado. Garcia usa parte do tempo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na tevê para reforçar o fato de Pimentel ganhar mais de R$ 12 mil por mês em aposentadorias.
Pimentel, por sua vez, acusa o candidato do PPB de ser o responsável pelo prejuízo financeiro amargado pelos associados do antigo Consórcio Garibaldi, estimado em R$ 40 milhões, e ainda de usar o nanico PTC como um ''laranja'' para beneficiar sua candidatura.
Na ação que embasa o pedido de liminar, Garcia alega que o objetivo de Pimentel é denegrir a sua honra e imagem e que as acusações são pessoais e não políticas. O pepebista diz ainda acreditar que essa atitude de Pimentel é ''fruto de recente insucesso'' do seu adversário nas pesquisas de opinião pública.
A coordenação da campanha de Pimentel informou que recorrerá porque ''um juiz não pode conceder uma liminar impedindo um jornal de dar notícias sobre fatos da comunidade''. Ainda segundo a assessoria, a postura da Justiça constitui-se em censura prévia e, portanto, é inconstitucional. ''A Justiça não pode calar qualquer veículo de comunicação do País'', advertiu a coordenação da campanha, que acredita que os veículos de imprensa podem falar qualquer coisa desde que assumam a responsabilidade pelas informações que estão veiculando.
O diretor de redação de O Estado do Paraná, Mussa José Assis, disse que a concessão da liminar causou estranheza. ''Consideramos que essa decisão é um atentado à liberdade de imprensa'', declarou. Mas reforçou que a decisão será respeitada. Na segunda-feira o grupo entra com recurso tentando derrubar a liminar. Mussa disse ainda que considera que o juiz foi ''além da sua competência''. Ele acredita que o pedido de Garcia deveria ter sido encaminhado à Justiça Eleitoral, e não à Justiça comum. ''Também nos causou estranheza a presteza do juiz em conceder a liminar'', disse, lembrando que a ação foi protocolada no dia 10 e a liminar foi expedida já no dia seguinte.
A liminar obtida por Garcia atinge também o PMDB, mas até o final da tarde de ontem a assessoria jurídica do partido não tinha sido notificada.

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