Garcia anuncia desfiliação do PSDB
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sexta-feira, 16 de março de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A decisão tomada pela executiva estadual do PSDB no último dia 5, colocando o partido oficialmente na oposição ao governo do Estado, causou ontem a primeira baixa. O deputado licenciado Nelson Garcia, que no mês pasado assumiu a secretaria estadual do Trabalho, anunciou sua desfiliação da legenda. A saída de Garcia mostra que o PSDB paranaense continua dividido. Quatro dos oito deputados estaduais tucanos continuam integrando a bancada de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB). No próximo dia 26, a executiva estadual do PSDB volta a se reunir e deve propor que o conselho de ética instaure procedimentos que podem resultar na expulsão dos que não obedecerem a diretriz.
Através de uma nota, Garcia informou sua desfiliação do PSDB para prosseguir no governo. O secretário justificou seu afastamento como uma forma de ''evitar maiores constrangimentos tanto com as lideranças estaduais do PSDB, assim como com o governador Roberto Requião, com quem sempre manteve excelente relacionamento''.
Os problemas internos do PSDB estadual vieram à tona no ano passado. O bloco liderado por Hermas Brandão, ex-presidente da Assembléia Legislativa, venceu a convenção do partido, aprovando uma coligação com o PMDB. Um acordo com Requião garantia Brandão como candidato a vice na chapa do governador. A direção do partido, derrotada na convenção, recorreu ao diretório nacional tucano, que proibiu a aliança. O caso acabou parando no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que confirmou a proibição. O partido, então, dividiu-se nas eleições: um grupo trabalhou pela reeleição de Requião e outro apoiou a candidatura de Osmar Dias (PDT).
No início deste ano, desavenças entre Requião e o prefeito de Curitiba, Beto Richa, uma das principais lideranças tucanas no Paraná, fizeram com que o diretório estadual tomasse uma posição oficial sobre a postura da legenda.
Mesmo com a determinação, os deputados Luiz Nishimori, Luiz Accorsi, Luiz Fernandes Litro e Francisco Buhrer continuam obedecendo as orientações da bancada governista na Assembléia. ''Entendemos essa postura de oposição como uma opinião do diretório e não como uma diretriz partidária'', justifica Nishimori. Para o deputado, deixar de apoiar Requião está fora de cogitação para os quatro parlamentares. ''Já nos manifestamos na eleição a favor do Requião. Não podemos mudar nossos princípios. Como iríamos explicar isso para nossas bases eleitorais?'', questiona. Nishimori, Accorsi, Litro e Buhrer só devem deixar o partido caso sejam obrigados.
No próximo dia 26, a executiva estadual do PSDB deve se reunir para discutir a situação dos que não obedecem a decisão, o que pode dividir ainda mais o partido. Segundo Rossoni, as medidas contra eles serão tomadas ''em cima de fatos''. ''Estamos agindo com prudência e dando tempo para que eles (deputados) reflitam sobre que decisão tomar. Nossa preocupação no momento não é a divisão do partido, mas que o PSDB tenha coerência e conduta'', afirma.


