Brasília - Depois do ministro Nelson Jobim (Defesa) negar que o governo brasileiro tenha fechado acordo com a França para a compra de 36 aviões caça Rafale, integrantes do governo federal entraram em campo ontem para desmentir a hipótese de ''mal estar'' diplomático com os Estados Unidos e a Suécia - que também disputam a venda das aeronaves para o Brasil.
O assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, negou que o governo tenha fechado com a França a compra dos aviões. Garcia admitiu, porém, que os franceses têm ''bons antecedentes'' nas negociações comerciais com o país, ao contrário dos Estados Unidos -num sinal de que a disposição brasileira é comprar os aviões franceses.
''O ministro Jobim declarou que, como advogado, trabalha com antecedentes. E os antecedentes que tínhamos com outros sócios não eram bons. E os antecedentes que temos com a França, no caso dos submarinos e helicópteros, são bons. Vamos examinar os outros sócios, que seja o mais conveniente para o Brasil. O resto é especulação e eu não discuto impressões'', afirmou Garcia.
Além de negociar a compra das aeronaves com a França, Lula fechou com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a compra de helicópteros e submarino com tecnologia nuclear. Os franceses se comprometeram em transferir a tecnologia das aeronaves caso o Brasil escolha os caça do país.
Em nota divulgada ontem pela Embaixada dos Estados Unidos, os americanos reagiram ao anúncio do governo brasileiro de dar início às negociações com os franceses. Os EUA se mostraram dispostos a também transferir tecnologia das aeronaves para o Brasil, mas Garcia disse que é necessário cautela antes de qualquer acordo

mockup