Garcia acusa deputados de maus pagadores
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaBenefícioGarcia: presidente do Banestado criticou também os empréstimos feitos aos funcionários do bancoO presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, culpou ontem os deputados estaduais por parte do rombo do banco e, sem poupar palavras, acusou os parlamentares de maus pagadores. Se eles honram a cadeira na Assembléia poderiam muito bem honrar os compromissos com o Banestado, afirmou Neco Garcia, durante uma manifestação de sindicalistas, em frente à sede do banco. Sua declaração reforça o pensamento do governador Jaime Lerner, que na semana passada culpou os políticos inadimplentes pela situação do Banestado.
Garcia fez questão de acompanhar toda a assembléia feita pelos funcionários, sindicalistas e políticos no pátio do Conglomerado. Ele tachou a reunião de manifestação anarquista. Quem quiser ouvir esta papagaiada tem 15 minutos, avisou o presidente, minutos antes de iniciar a assembléia. A reunião entre sindicalistas e funcionários demorou mais de duas horas. Somente Garcia fez um discurso inflamado, de 20 minutos, em defesa da privatização do banco.
Ele criticou a posição do sindicato, contrário à venda do banco, mas preferiu centrar fogo nos deputados. A menos de 50 metros do deputado Ângelo Vanhoni (PT), que também discursou, Neco Garcia protestava. Que os deputados se dignem a pagar o que devem ao banco, cobrava. Vanhoni, que também tem financiamento no Banestado, garantiu que está em dia com o pagamento dos débitos. O único deputado que não tem financiamento no Banestado é Florisvaldo Fier (PT). Os outros 53 deputados são devedores e grande parte está inadimplente.
Neco Garcia lembrou dos inúmeros financiamentos sem juros que foram liberados a funcionários. Ele disse que os empréstimos para os servidores somam R$ 11 milhões e tiveram custo zero para quem recebeu o dinheiro. Já o banco teve de tomar dinheiro com até 4% de juros ao mês, enquanto para o servidor isso não custou nada, afirmou. Ele disse ainda que os funcionários cultivaram privilégios. Somente os encargos sociais custam 141,8% ao Banestado. O Banestado carrega vícios antigos e o sindicalismo é um deles.
O presidente do Sindicato dos Bancários, Pedro Eugênio Leite, disse que o governo do Estado está entregando o banco ao concordar com a privatização. Leite disse concordar com a necessidade de saneamento, mas voltou a insistir não ser o caso de privatização. O governo colocou dívidas do Estado no banco. Isso é saneamento do Estado e não do banco. Para sanear o Banestado são necessários R$ 750 milhões, afirmou. Ele disse que a proposta do sindicato é que o Estado entre com R$ 350 milhões e os outros R$ 400 milhões poderiam ser emprestados do Banco Central. O Rio Grande do Sul e Santa Catarina usaram esta linha de saneamento para seus bancos estaduais.


