Ganha força proposta de aumento para deputados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - A aprovação de medidas que restringiram a utilização das passagens aéreas pelos deputados fez ganhar força na Câmara a discussão sobre o aumento salarial dos parlamentares. Com a redução de 20% na cota aérea, deputados passaram a defender nos bastidores a análise da proposta que incorpora os benefícios mensais aos seus salários - o que elevaria os subsídios dos atuais R$ 16,5 mil para R$ 24,5 mil, teto do Poder Judiciário.
Oficialmente, o comando da Câmara nega que esteja disposto a aprovar mudanças nos salários dos deputados em curto prazo. A proposta de aumento salarial vem sendo analisada pela primeira-secretaria da Casa como alternativa para a extinção da chamada verba indenizatória - valor de R$ 15 mil mensais destinado aos deputados para gastos relacionados ao mandato.
A proposta prevê o fim da verba indenizatória e sua imediata incorporação nos salários, no limite de R$ 24,5 mil. O primeiro-secretário da Câmara, Rafael Guerra (PSDB-MG), nega a possibilidade de a Casa aprovar qualquer aumento salarial neste momento - depois do desgaste na imagem da instituição provocado pelo episódio da ''farra'' das passagens aéreas.
''O mais urgente é desarmar essa história de aumento salarial. Quem fala isso não sente a realidade das ruas. Não existe isso. Um deputado não deve definir sobre o próprio salário'', afirmou Guerra.
O deputado admitiu que defendeu a incorporação da verba indenizatória há alguns meses, mas considera a discussão desnecessária depois que a Casa decidiu cortar gastos e se reestruturar administrativamente. ''O aumento nos salários hoje é deslocado do sentimento da sociedade.''
A reportagem apurou que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), trabalha contra a aprovação do aumento salarial neste momento porque teme novos desgastes na imagem da instituição.
Em conversas com integrantes da Mesa Diretora, Temer pediu que os parlamentares se mobilizem para impedir que o tema ganhe força nos corredores da Casa. Alguns deputados defendem que o reajuste seja concedido mesmo que tenha vigência a partir de 2011, quando assumem os novos deputados eleitos em outubro de 2010.
Comissão
Temer instalou oficialmente ontem a comissão que vai fazer um estudo para reestruturar os benefícios pagos aos deputados. A comissão vai ser presidida por Guerra, que marcou a primeira reunião do grupo para a próxima terça-feira.
Integrada por deputados e técnicos da Casa, a comissão vai ter o prazo de 30 dias para apresentar as conclusões sobre mudanças em benefícios dos deputados - como cotas aéreas, de postagem, telefônicas, verba indenizatória e verba de gabinete dos 513 parlamentares.
Além de denúncias de má utilização de passagens aéreas, a comissão vai investigar irregularidades na chamada verba indenizatória.


