BRASÍLIA - Com a base parlamentar praticamente recuperada dos ‘‘estragos’’ verificados no primeiro turno de votação, o governo encerra amanhã a votação da emenda da reeleição na Câmara dos Deputados. O líder do governo, deputado Benito Gama (PFL-BA), previu que a dissidência entre os parlamentares aliados ao Palácio do Planalto será minima. A emenda deve ser aprovada com pelo menos 360 votos, 52 votos além do necessário.
A proposta será encaminhada no mesmo dia ao Senado, onde o presidente da Casa, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), espera votá-la até o mês de maio. Segundo Benito, muitos dos integrantes das bancadas de Goiás, Pará, Paraíba e do PPB, que votaram contra a emenda no primeiro turno, não mais se oporão à sua aprovação. A mudança de posição, segundo o líder, é resultante de alterações no quadro político, hoje bem menos tenso do que no mês passado. Não existe mais a polêmica provocada pela reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado, nem o confronto com o presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE).
‘‘A causa é boa’’, justificou Benito. ‘‘As dificuldades são normais quando se trata da votação de uma proposta política.’’ O deputado lembrou que o líder do PPB, deputado Odelmo Leão (MG), liberou a bancada na votação da emenda. A única oposição entre os aliados deve ser a do deputado Gilvan Freire, do PMDB da Paraíba. A deputada Alcione Barbalho (PMDB-PA), escolhida vice-líder do partido, é tido como um dos ‘‘novos votos’’ na contagem do governo.
Benito Gama disse que a mobilização para garantir a presença de o maior número possível de deputados em Brasília será intensificado hoje. Ele tem a expectativa de ter terça-feira pelo menos 500 parlamentares em plenário. A votação no Senado deve ser mais tranquila. Pesquisa realizada entre os 81 senadores demonstra que 70% deles apoiam a reeleição.
A única dificuldade está em convencer um pequeno grupo de aliados a desistirem da idéia de vincular a reeleição á desincompatibilização do cargo. Mas o governo vai se valer do argumento de que o afastamento, por menor que seja, quebrará a continuidade da administração, que é justamente o que se deseja manter com a possibilidade dos atuais governantes se recandidatarem.

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