Gaeco vai investigar escândalo na Assembleia
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sexta-feira, 19 de março de 2010
Rosiane Correia de Freitas<bR> Equipe da Folha 
Curitiba- A investigação de indícios de crimes que envolvem a Assembleia Legislativa está ganhando reforços. As denúncias feitas pela RPC TV e o jornal Gazeta do Povo serão investigadas pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. O escândalo também poderá ser investigado pela Polícia Federal (PF). O envolvimento de policiais federais foi requisitado pelo deputado federal Dr. Rosinha (PT).
O Gaeco, que é uma força-tarefa do MP composta por promotores, policiais civis e militares, irá ajudar a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público nas investigações que foram abertas na última quarta-feira. A expectativa é que o grupo atue na realização do trabalho de campo e na coleta de depoimentos.
O MP também anunciou ontem que solicitou à Assembleia que sejam entregues aos promotores os documentos relativos a todas as pessoas suspeitas de ter recebido salários indevidamente. O órgão já havia solicitado na última terça-feira que o legislativo paranaense apresente todos os Diários Oficiais publicados desde 1994. O procurador-geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto, no entanto, não determinou prazo para que a Assembleia atenda às solicitações.
Já a participação da Polícia Federal foi requisitada por Dr. Rosinha via ofício encaminhado ontem. Há indícios de desvio de dinheiro, que é um crime federal, justificou. Para Rosinha, a atuação da PF foi fundamental no escândalo que envolveu o governador afastado do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (ex-DEM). A Assembleia vota leis que envolvem interesses dos policiais e promotores do Estado. Isso pode constrangê-los na investigação das denúncias. A PF certamente tem uma liberdade maior, explicou.
Segundo o chefe da Comunicação da PF, Marcos Koren, a solicitação do deputado ainda não chegou ao órgão. Mas a instituição tem acompanhado o caso. Ainda não fomos acionados nem vimos nenhum crime relacionado com nossa atuação, apontou. Segundo Koren, a corporação poderá atuar caso existam indícios de crimes como o desvio de verbas federais e lavagem de dinheiro. Em geral, quando há lavagem de dinheiro há sonegação de impostos federais, explicou.
Koren ressalta que a PF continua de fora da investigação por enquanto. Temos confiança nas instituições estaduais e estamos à disposição para cooperar, completou.
Entrevista
O presidente da Assembleia, Nelson Justus (DEM), rompeu o silêncio ontem e concedeu entrevista à RPC TV sobre o escândalo que envolve a Casa. Justus declarou que a decisão de Abib Miguel, diretor-geral licenciado da instituição, de pedir afastamento foi acertada e que teria solicitado a saída dele se Miguel não tivesse tomado a iniciativa. A partir de agora teremos um novo modelo de gestão nessa Casa a partir da transparência e do recadastramento, afirmou. Justus também disse que vai aproveitar esse momento tão importante para corrigir os problemas da Assembleia.


