Gaeco retoma inquérito sobre compra de empresa
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
A tentativa de compra de uma empresa da área ambiental, que atuaria no tratamento de chorume, pelo presidente do Instituto Atlântico, Bruno Valverde Chiararia, em parceria com o ex-procurador jurídico do município, Fidélis Canguçu, e com o suposto envolvimento do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, voltou a ser objeto de investigação pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
O suposto esquema foi descoberto pela operação Antissepsia - que investigou desvios na Saúde através de contratos com o Atlântico e Instituto Gálatas -, já que Valverde teria confessado aos promotores a intenção de comprar a empresa para atuar em Londrina. Ele também disse que a transação foi cancelada após a deflagração da operação e que sustou cheques emitidos para a compra, no valor de R$ 40 mil.
O chefe do escritório de Londrina do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Andrew Pinheiro Neto, e os funcionários Roberto Gonçalves e Wellington Bembem, foram ouvidos esta semana pelo delegado Alan Flore, que não deu detalhes das oitivas. Disse apenas que, a pedido do Ministério Público, complementava o inquérito no qual Nadai foi indiciado por falsidade ideológica. Mais pessoas devem ser ouvidas.
Pinheiro Neto declarou à FOLHA que foi chamado para falar sobre eventual consulta de Nadai sobre o licenciamento para tratamento de chorume de Londrina. ''Ele me telefonou e lhe disse que todo o processo que envolve o licenciamento da Central de Tratamento de Resíduos em Londrina tramita em Curitiba e que não tenho informações'', relatou o chefe do IAP.
Nadai, em maio, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e na CMTU, declarou à imprensa que havia conversado com o dono da empresa de Arapongas, Mauro Rodrigues Mello, e havia consultado o IAP para verificar se ''o serviço poderia ser implantado no aterro e na CTR''.
À ocasião do cumprimento dos mandados, também foram localizados R$ 29 mil na casa de Nadai - que continuam apreendidos - já que a origem do dinheiro ainda não foi comprovada. O Gaeco também encontrou documentação relativa à compra de um apartamento por André Nadai e sua mulher, Cristiane Hasegawa, diretora administrativo-financeira da CMTU, em que comprovou-se sonegação do Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI). O apartamento custou cerca de R$ 330 mil, mas Nadai, por ''decisão pessoal'', registrou a escritura por R$ 170 mil. Após as investigações, recolheu o imposto devido e foi multado em aproximadamente R$ 17 mil.
Como o delegado entendeu que a adulteração da escritura não serviu apenas à sonegação fiscal, mas também para possível ocultação de patrimônio e enriquecimento ilícito, indiciou Nadai e Cristiane por falsidade ideológica. A defesa do presidente da CMTU argumenta que foi extinta a punibilidade em relação ao crime tributário, já que o imposto foi recolhido.


