Acusado de ser integrante da cúpula da organização criminosa que agia na Receita Estadual de Londrina, com ramificações em cidades do Norte do Paraná e em Curitiba, o ex-delegado de Londrina, Marcelo Müller Melle, que ocupou o cargo entre fevereiro e agosto deste ano, foi preso na manhã de ontem em Cornélio Procópio, cidade onde reside, no Norte Pioneiro. Também foi preso ontem Luiz Fernandes de Paula, auditor em Curitiba, apontado como membro da cúpula da organização, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga o esquema de corrupção na Receita por meio da Operação Publicano, cuja primeira fase foi deflagrada em março.
Os dois já foram denunciados – em 10 de setembro – e a denúncia recebida pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, responsável pelos processos relacionados à Publicano. Foi ele quem decretou a prisão preventiva dos dois auditores, a pedido do Ministério Público (MP). Melle e De Paula não foram trazidos a Londrina após a prisão porque, conforme a lei processual, a transferência somente se justifica se as investigações estiverem em curso. No caso deles, já haviam sido encerradas, mas, a prisão cautelar é necessária "para assegurar o regular andamento processual", conforme o coordenador do Gaeco, promotor Jorge Fernando Barreto da Costa.
Na denúncia, o promotor narra cinco fatos de corrupção em que os dois auditores teriam sido diretamente beneficiados com a propina arrecadada de três empresas de móveis de Arapongas; uma fábrica de frios de Londrina e um supermercado de Pinhalão. Os fatos teriam ocorrido entre 2010 e 2011. Entre julho e dezembro de 2010, Melle era assessor do então delegado-chefe de Londrina e De Paula era inspetor geral de fiscalização.
O promotor disse que ainda não se trata da terceira fase da Operação Publicano, mas, de um desdobramento da segunda etapa, que, em junho, resultou na denúncia de 125 réus, incluindo a cúpula da organização criminosa, como o empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governado Beto Richa (PSDB) e considerado o "braço político" do esquema; o ex-inspetor geral de fiscalização da Receita do Paraná Márcio de Albuquerque Lima; o ex-coordenador-geral da Receita do Paraná José Aparecido Valêncio da Silva.
"As investigações continuam. O ideal era que tivéssemos identificado todos os envolvidos e assim evitaríamos situações de cunho processual. Contudo, isso não é possível. Portanto, toda vez que novos nomes forem identificados e houver comprovação de sua participação, vamos levar os fatos a juízo, pleiteando as medidas cabíveis", discorreu Costa. Com esta nova denúncia, já há três ações relativas ao esquema na Receita. Ao todo, 65 auditores são acusados, além de mais de 100 empresários e particulares.
Marcelo Müller Melle foi nomeado delegado-chefe após a prisão de José Luiz Favoreto, acusado envolvimento de crimes sexuais e no esquema de corrupção. Em setembro, o atual delegado-chefe da Receita de Londrina, José de Carvalho Júnior, disse que Melle havia se aposentado. No entanto, conforme publicação do Diário Oficial do Estado, em 11 de setembro, ele está de licença por 90 dias. Mais de uma dezena de auditores réus nas duas fases da Operação Publicano escolheram Melle como testemunha de defesa.

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