Gaeco prende 10 suspeitos de desvio dinheiro na Assembleia
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sábado, 24 de abril de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma operação realizada ontem pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ligado ao Ministério Público (MP) do Estado, resultou na prisão temporária de dez pessoas envolvidas em desvio de dinheiro dos cofres da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. Entre os presos, estão os ex-diretores da AL Abib Miguel, José Ary Nassiff e Cláudio Marques da Silva. O funcionário efetivo da AL João Leal de Matos e mais seis pessoas da família dele completam a lista de presos. Os mandados de prisão foram assinados pelo juiz designado Aldemar Sternadt, da Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba.
Também foram autorizadas nove buscas e apreensões em locais de Curitiba e região e também no Litoral do Estado. Entre as apreensões, estão 73 veículos que estavam numa espécie de garagem no bairro Seminário em Curitiba. Embora a propriedade estivesse em nome de terceiros, Abib Miguel seria o dono dos carros. Parte dos veículos são antigos. Uma soma de R$ 250 mil em dinheiro também foi encontrada nas residências de Abib Miguel (R$ 50 mil) e de Cláudio Marques da Silva (R$ 200 mil). Também foram apreendidos documentos físicos e digitais e bens que podem ter sido derivados do desvio de dinheiro público. No caso de Cláudio Marques da Silva também houve prisão em flagrante, por posse de seis armas não registradas, incluindo duas espingardas velhas, e munição de uso restrito.
Equipes do Gaeco de todo o Estado participaram da operação, que é a primeira relativa às últimas denúncias de irregularidades na AL, publicadas pela imprensa em meados de março. A operação começou às 4 horas da manhã de ontem, mas as prisões começaram a ser feitas a partir das 6 horas. Depois de ouvidos pelo Gaeco, os presos devem ser encaminhados a centros de triagem. A exceção ocorre no caso de Abib Miguel e de José Ary Nassiff, que têm curso superior e devem ser encaminhados a uma prisão especial. As prisões são temporárias - cinco dias -, mas podem ser prorrogadas.
Segundo o procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador dos grupos especiais de Combate ao Crime Organizado em todo o Estado, a operação se refere a um núcleo inicial, ligados às agricultoras Jermina Maria Leal da Silva e Vanilda Leal. Embora nunca tenham trabalhado efetivamente na AL, as duas foram contratadas para cargos comissionados na Casa e cerca de R$ 1 milhão já teria sido depositado numa conta bancária em nome de Jermina. Quando o caso se tornou público, Jermina e Vanilda alegaram à imprensa que desconheciam os depósitos, mas, ontem, Batisti explicou que elas não levaram informações que pudessem esclarecer a situação.
Jermina é irmã de João Leal de Matos e Vanilda é sobrinha dele. Como funcionário efetivo da AL, Matos teria, por exemplo, conseguido documentos para que as duas passassem a integrar a lista de servidores da AL. Outros parentes de Matos foram presos também: a esposa Iara Rosane; a filha Priscila; a sogra Maria José; e a cunhada Nair. Ainda estamos em busca de elementos, mas o que percebemos é que não houve boa-fé (dos familiares de Matos). Numa estranha lealdade, as pessoas não quiseram colaborar com as investigações, afirmou Batisti. O procurador de Justiça afirma que, no caso do grupo preso, há evidências de crimes como formação de quadrilha ou bando; peculato (desvio de dinheiro público); falsificação de documento e lavagem de dinheiro. Os advogados de Abib Miguel, Alessandro Silvério, e de José Ary Nassiff, Rogério Botelho, foram até a sede do Gaeco em Curitiba, mas não quiseram dar entrevista à imprensa presente no local. Quando chegou ao Gaeco, às 10h10 de ontem, Abib Miguel também não quis falar com a imprensa. Os demais advogados dos presos não foram encontrados ontem pela reportagem.


