Gaeco pode concluir inquérito sobre sonegação esta semana
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terça-feira, 14 de junho de 2011
Loriane Comeli <br> Reportagem Local 
O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, deve concluir ainda esta semana o inquérito que apura possível sonegação fiscal do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, ao comprar o apartamento em que reside por R$ 330 mil. Ontem ele compareceu à sede do Ministério Público para prestar informações complementares e sua mulher, Cristiane Hasegawa, que é diretora administrativo-financeira da CMTU, foi ouvida, já que contribuiu com a compra. O casal chegou acompanhado de advogados e nenhum conversou com a imprensa.
Nadai registrou a escritura pública do imóvel ''por decisão pessoal'' no valor de R$ 170 mil, deixando de recolher, portanto, o Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI) sobre R$ 160 mil. Conforme adiantou a FOLHA na semana passada, Nadai reconheceu a sonegação ao ter complementado, em 3 de junho, a diferença do imposto municipal, que corresponde a 2% da transação. Nesta data, segundo a Secretaria de Fazenda, ele pagou R$ 3,2 mil de ITBI.
Porém, a confissão do não recolhimento do imposto tem implicações positivas para Nadai. Alan Flore explicou que se o imposto sonegado for pago antes da propositura da ação penal fica extinta a punibilidade. Eventual falsificação de documentos também não poderia ser punida porque teria sido o meio para a sonegação.
Ao lado de eventual sonegação e falsidade, o delegado investiga a origem dos recursos utilizados na compra do apartamento. A apuração da origem é importante porque foram encontrados na casa de Nadai R$ 29 mil que, segundo ele, provêm de economias pessoais. No ententao, o delegado considera a justificativa insuficiente e o montante continua apreendido.
Questionado se a aquisição do imóvel estava acima das posses de Nadai e Cristiane, o delegado disse que ''é isso o que se pretende aferir com a conclusão do inquérito policial''. Nadai apontou como única fonte de renda o salário de presidente da CMTU, que é de R$ 10.226. Cristiane, que é servidora municipal, recebe R$ 6.142 como diretora da companhia. Alan Flore disse que o apartamento, comprado em agosto do ano passado, foi pago em parcelas, mas já está quitado.
O delegado não descarta a possibilidade de tomar novos depoimentos. Ele também aguarda documentos para concluir o inquérito. André Nadai colocou seu sigilo fiscal e bancário à disposição do Gaeco. ''Mesmo que não fique caracterizada uma infração penal, mas existindo indícios de um ato de improbidade administrativa, notadamente, de enriquecimento ilícito, esses documentos serão encaminhados à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público para que tome as providências cabíveis'', afirmou Alan Flore.


