O Ministério Público pediu nesta sexta-feira (18) a prorrogação por mais 180 dias do afastamento dos vereadores Rony Alves (PTB) e Mario Takahashi (PV) da Câmara Municipal de Londrina. Os dois estão impedidos judicialmente de ocupar os cargos há quase um ano, quando a Operação ZR3 foi deflagrada para desbaratar um suposto esquema criminoso que, de acordo com o MP, visava lucrar com projetos de mudança de zoneamento urbano em Londrina. A investigação culminou na denúncia de 13 pessoas à Justiça, dentre empresários, ex-membros do Conselho Municipal das Cidades, agentes públicos e os vereadores afastados.

No pedido o promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) Leandro Antunes sustenta que todos os fatos apresentados pelo MP evidenciam "incompatibilidade com o exercício da função pública, colocando em risco a atividade legislativa da Câmara Municipal de Londrina e a credibilidade de suas decisões", afirma.

E ainda que o afastamento seria necessário para "evitar interferências indevidas no curso do processo, pois com o retorno ao exercício do cargo poderá haver destruição/ocultação de provas, já que, como visto, os crimes descritos na denúncia são relacionados ao exercício da função dos acusados (vereadores)", sustenta.

Antunes destaca o fato que culminou na prisão preventiva de Rony Alves no final do ano passado, acusado de ter ameaçado a principal testemunha da operação, o agricultor Júnior Zampar, em uma agência bancária. Além do episódio ocorrido no âmbito da Comissão Processante que investigou denúncia de quebra de decoro parlamentar contra os vereadores, quando Zampar teria recebido voz de prisão do advogado de defesa de Alves.

O Ministério Público também sustenta que o retorno aos trabalhos na sede do Legislativo londrinense impossibilitaria o cumprimento de outras medidas cautelares, como a proibição de manterem contato entre si e frequentarem a Câmara Municipal e a Prefeitura de Londrina.

O pedido foi feito ao juiz Délcio Miranda da Rocha, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Londrina. O magistrado já ouviu as testemunhas arroladas pelo Ministério Público e em março devem ser colhidos os depoimentos das testemunhas arroladas pelas defesas dos réus.

DEFESAS
Procurados, os advogados Maurício Carneiro e Anderson Mariano, defesas de Rony Alves e Mário Takahashi, respectivamente, afirmaram que só vão se manifestar após a decisão do juiz.

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