Gaeco pede afastamento de Sidney e mais quatro vereadores
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pediu ontem o afastamento do presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Sidney de Souza (PTB); do líder do Executivo, Gláudio Renato de Lima (PT); do corregedor, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB); do vereador Jamil Janene (PMDB), e do vereador afastado Flávio Vedoato (PSC), em razão de suposto envolvimento na cobrança de propina para a aprovação de lei municipal que fez a doação de um terreno público, às margens do Lago Igapó, ao empresário Marcelo Caldarelli.
O pedido foi encaminhado à 1 Vara Cível junto com uma ''emenda à inicial'' - ou seja, um requerimento para a ampliação da lista de réus da ação de improbidade administrativa que já está em tramitação. O Gaeco também protocolou ontem um ''aditamento'' à ação criminal relacionada ao caso, visando incluir os mesmos vereadores entre os réus do processo penal. O terreno citado nas ações tem 3,2 mil m2 e é avaliado em, aproximadamente, R$ 400 mil.
O ex-vereador Orlando Bonilha, os vereadores afastados, Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (sem partido), e o ex-assessor parlamentar (de Bergamin), Júlio César Romagnole, já tinham sido denunciados nos dois processos em abril.
A inclusão dos novos nomes é decorrência direta dos depoimentos prestados por Bonilha após se tornar réu colaborador.
Em declaração ao Gaeco e à juíza da 3 Vara Criminal, Zilda Romero, o ex-vereador passou a reconhecer que é integralmente verdadeira a chamada ''lista do Caldarelli'' - documento redigido por Renato Araújo com os nomes dos noves vereadores que teriam recebido propina do empresário.
Na esfera cível, os vereadores são acusados de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito no valor de R$ 38 mil, e na criminal, de concussão (extorsão praticada por agente público) e lavagem de dinheiro.
De acordo com o promotor Cláudio Esteves, as provas contidas nos autos são consistentes. ''Além da lista, temos a confissão do Caldarelli e do próprio Bonilha, que veio a enriquecer os elementos colhidos durante a investigação.'' Outro elemento documental citado nos autos é um comprovante de depósito bancário feito pelo empresário em favor dos vereadores.
O afastamento dos parlamentares foi solicitado pelo Gaeco para preservar a instrução dos processos. Bergamin e Araújo já tiveram o afastamento decretado quando a ação cível foi recebida pelo juiz da 1 Vara Criminal, Mauro Ticianeli.
''Além do que já foi alegado anteriormente, há razões novas para pedir o afastamento dos parlamentares incluídos nos processos. Em depoimento ao Gaeco, os vereadores Sidney, Gláudio e Vedoato foram citados por Bonilha por fazerem pressões para renunciar ao mandato e não colaborar com as investigações'', explicou Esteves. ''Há, inclusive, notícia de que alguns deles teriam oferecido dinheiro para Bonilha ficar quieto'', complementou o promotor Renato de Lima Castro.
Os promotores também citaram a necessidade de preservar os membros da Comissão de Ética da Câmara durante os processos disciplinares que deverão ser instaurados contra os acusados. ''Os vereadores que vão fazer a investigação precisam ter isenção para trabalhar e não podem sofrer constrangimento'', disse Castro.
Além disso - segundo o Gaeco -, os vereadores Sidney, Gláudio e Tamarozzi ocupam cargos importantes que permitiriam a manipulação de informações oficiais. Os promotores devem enviar para o Legislativo, na segunda-feira, cópia integral das duas ações. Os vereadores citados no aditamento das ações não quiseram se pronunciar ontem, alegando que não têm conhecimento oficial dos fatos.


