Gaeco ouve mais três testemunhas
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
Vinícius Zanin <br> Reportagem Local 
Mais três testemunhas prestaram depoimento, ontem, ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pela operação Antissepsia. Foram ouvidos o representante da Associação Médica de Londrina no Conselho Municipal de Saúde, José Luiz Camargo; o ex-presidente do Instituto Atlântico, Lucas Cavenagui Modesto, e o atual diretor-financeiro da Secretaria de Saúde, João Calos Barbosa Perez. A operação, deflagrada no último dia 10, investiga um suposto esquema de pagamento de propina à agentes públicos municipais, feito por duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) - Intitutos Altântico e Gálatas - que prestam serviços na área da sa© úde em Londrina.
O depoimento mais incisivo foi o do médico José Luiz Camargo. O conselheiro apontou o ex-secretário de Saúde Agajan Der Bedrossian, como um dos defensores da contratação dos institutos.
''Foi o então secretário da saúde (Agajan) quem pediu a substituição dos institutos que tinham sido indicados (HU Tec e Santa Casa), sob a alegação de que ele havia recebido informações de que a Prefeitura não tinha recursos para suportar o preço que estaria sendo cobrado. E eles (Marcos Ratto e Joel Correa) defendiam a indicação dessas Oscips, até com uma certa veemência'', afirma.
O médico chegou a mencionar que durante a reunião que discutiu a possível contratação das empresas, foi votada apenas a contratação do Instituto Gálatas. Contratação que viria a ser referendada em ata pela maioria dos membros do Conselho. Conforme Camargo, a contratação do Instituto Atlântico ficaria a encargo de uma ''análise'' da Secretaria de Gestão Pública, que seria a responsável por ''avalisar'' a Oscip.
O secretário de Gestão Pública, Marco Citto, confirmou à FOLHA que houve esta análise, porém foram levados em consideração apenas a questão orçamentária do contrato e que o aval técnico de contratação partiu, efetivamente da Secretaria de Saúde. ''Na época nós estávamos vivendo um momento de crise. Realmente nós tínhamos que fazer a melhor escolha para o município. A sugestão era de que fossem contratadas empresas de Londrina, até para que houvesse uma melhor ficalização. E cabia a Secretaria de Gestão Pública avaliar qual era essa melhor solução'', explica.
Cito revela que na época Agajan chegou a sugerir que todos os serviços fossem prestados por uma única empresa (Instituto Gálatas). ''A orientação da administração era no sentido de que isso não acontecesse. Até para que não ocorresse, de novo, o que a gente estava passando por conta do Ciap. Foi aí que surgiu a sugestão de que fossem desmembrados os serviços por duas Oscips'' afirmou.
Sobre a declaração de que a Secretaria de Gestão Pública teria indicado o Instituto Atlântico, Cito, se defendeu, alegando que a recomendação partiu do ex-secretário de Sa© úde, por meio de um documento. ''O Agajan me trouxe um documento, feito depois da ata, que referendava a contratação do Intituto Atlântico.''
O ex-presidente do Instituto Atlântico, Lucas Cavenagui Modesto, que ocupava o cargo na época da contratação da Oscip, também foi ouvido pelo MP. ''Eu deixei a presidência do instituto em janeiro, e não tive mais contato em relação a responsabilidade da instituição'', disse. Modesto afirmou também, que está se desligando da Oscip.
O outro depoente foi o diretor-financeiro da Secretaria de Saúde, João Calos Barbosa Perez, que falou sobre a questão do corte no repasse de verbas para os institutos. Perez refutou que possa existir qualquer irregularidade cometida pela Secretaria no âmbito das finanças. ''Fizemos a nossa parte de glosar (reter) tudo o que não foi executado. Apenas cumprimos o que estava expresso no termo de parceria.''
O coordenador do Gaeco, Claudio Esteves, não descartou a possibilidade de convocação do ex-secretário de Saúde para prestar depoimento. ''Existem muitas circustâncias para serem apuradas, são detalhes a serem verificados. Há várias pessoas sendo indicadas, com a inquirição sendo necessária, agora esta agenda ainda não está definida.''


