Pelo menos 10 pessoas devem ser ouvidas na próxima segunda-feira dentro do inquérito que apura supostas irregularidades na oferta de serviços de tanatopraxia (conservação de cadáveres) na Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf). A previsão é do delegado que preside as investigações, Alan Flore, que tomou ontem depoimento de mais dois funcionários da autarquia: o plantonista Luis Carlos Theodoro, 30 anos de carreira, e o preparador de corpos Claudemir Mendes, 13 anos de Prefeitura, um dos três servidores afastados pela atual superintendência em em função de auditoria que corre na Controladoria-Geral do Município, desde abril.
De acordo com o delegado, ambos negaram qualquer tipo de coação sobre usuários da Acesf pela aquisição dos serviços de tanatopraxia - oferecida em Londrina por apenas duas empresas, ao preço de até R$ 1.800, ao passo que na região ela pode ser encontrada por até R$ 400. Uma série de depoimentos à Promotoria de Patrimônio Público e mesmo à Controladoria, entretanto, sustentam que parte funcionários constrangeriam familiares a adquirirem o serviço.
''Os dois depoentes disseram que apenas recebiam ordens do então superintendente Osvaldo Moreira Neto, mas no sentido de informar familiares da necessidade técnica da tanatopraxia'', disse. Segundo o delegado, as versões ''são muito semelhantes'' às de Antonio Vaz e Mauro Pinto Ferreira, servidores também afastados a pedido da Controladoria. Ferreira, porém, foi preso esta semana porque estaria constrangendo testemunhas da investigação.
Flore informou que, em função da prisão de Ferreira, o prazo de 30 dias para conclusão do inquérito cai para 10 dias - daí a necessidade, afirmou, de ''ao menos 10 pessoas'' serem ouvidas na próxima segunda, nas mais de 50 previstas em toda a investigação. ''Outro inquérito deve ser instaurado, mas esse será concluído na proxima semana'', encerrou o delegado.

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