Gaeco ouve Gouvêa e não descarta ação criminal
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Investigado desde o final de agosto na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP) é alvo de procedimento também pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que, ontem de manhã, tomaram o depoimento do parlamentar. Durante pouco mais de uma hora, Gouvêa depôs e negou qualquer cobrança de propina contra o empresário Maurício Costa, em junho passado, quando da votação do projeto ''Minha Casa, Minha Vida''. Segundo a FOLHA apurou, no entanto, depoimentos de outros dois vereadores - Ivo de Bassi (PTN) e Roberto Fortini (PTC) - e de uma assessora parlamentar - do gabinete de Bassi - teriam confirmado à Promotoria, além da primeira versão apresentada pelo engenheiro, que Gouvêa teria citado a necessidade de algum tipo de cobrança indevida contra o empresário a fim de que a matéria prosperasse. O Gaeco estuda se entrará ou não com ação criminal contra o parlamentar - que não está livre, da mesma forma, da possibilidade de ação civil pública.
Segundo o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, Gouvêa foi ouvido ontem, a convite do grupo, uma vez que o procedimento cível foi desdobrado para a esfera criminal. ''Os promotores do Patrimônio Público nos mandaram cópias de depoimentos para apuração de eventual desdobramento na área criminal. Como sempre que possível é necessário ouvir a pessoa contra quem são feitas as acusações, chamamos o vereador'', resumiu Esteves.
Entre os depoimentos já tomados, estão os do empresário - que primeiramente denunciou o suposto achaque, mas, em uma segunda ocasião, tentou se retratar -, o do presidente da Casa, José Roque Neto (PTB) - que disse ter sido procurado por Costa para relato da suposta cobrança -, o de Bassi e de uma assessora, e o de Fortini. Bassi teria sido procurado por Gouvêa, em mais de uma ocasião, ao telefone celular, a fim de que participasse de eventual esquema. A assessora do vereador teria confirmado alguns desses contatos. Já Fortini teria ouvido pedaços de conversa na qual Gouvêa usaria expressões que indicariam a cobrança indevida.
Além do MP, o mesmo caso rende a Gouvêa um procedimento de investigação à parte, na Corregedoria da Câmara, na qual vereadores e funcionários vêm sendo ouvidos desde a última sexta. Depois de confirmar, na sessão de anteontem, que Bassi teria sido um desses nomes, ontem o corregedor da Casa, Rony Alves (PTB), admitiu que Fortini também depôs no procedimento administrativo. E quanto a Gouvêa? ''Vamos deixar para depois - ele será um dos últimos a depor'', encerrou Alves, sem mais detalhes. Bassi não fala sobre os depoimentos ao MP e ao corregedor. Ontem à noite, a reportagem falou com Fortini sobre o mesmo assunto. ''Sobre isso não falo nada, 'tá'?'', desligou. Tanto Fortini quanto Bassi integraram o grupo apoiado por Gouvêa - este, à revelia do próprio partido - à Presidência da Câmara, em 1º de janeiro, encabeçado pela vereadora Sandra Graça (PP).
Ao final do depoimento no Gaeco, ontem de manhã, Gouvêa definiu que teria dado ''um basta ao tudo que estão falando aí: calúnias, inverdades''. ''Estou sendo bombardeado, mas o tempo é senhor da razão'', profetizou. O advogado do parlamentar, Alberto Melhado Ruiz, reforçou a versão já defendida por Gouvêa em entrevista à FOLHA, no começo do mês, de que ''essa enxurrada de acusações se trata de retaliações políticas em função do novo segundo turno''. Questionado sobre as conversas que o cliente teria mantido com Bassi, Ruiz respondeu: ''Era uma conversa quanto ao projeto. Quanto à quantidade de vezes que ele ligou, não posso esclarecer nada''.


