Gaeco ouve contribuintes beneficiados em suposto esquema
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de maio de 2018
Vitor Struck <br> Grupo Folha 

Contribuintes foram ouvidos na manhã desta sexta-feira (25) no Ministério Público no desdobramento da Operação "Password", deflagrada na quinta-feira (24) . Alguns eram familiares dos presos, mas estavam sendo ouvidos na condição de contribuintes e não quiseram falar com a imprensa. Somente para esta sexta foram expedidas 23 notificações para comparecimento, entretanto nem todos foram localizados.
Segundo o promotor Leandro Antunes todos negaram envolvimento no suposto esquema criminoso que consistia no cancelamento do registro de imóveis no cadastro da Secretaria Municipal de Fazenda ou na transformação de imóveis particulares em públicos no mesmo cadastro, eximindo-o da cobrança do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano).
"Com base nos cancelamentos nós levantamos junto à Prefeitura no nome de quem estava registrado o respectivo imóvel e com isso nós obtivemos êxito em localizar estas testemunhas", afirma.
Segundo a investigação do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) somente em IPTU a Prefeitura deixou de arrecadar cerca de R$700 mil. Antunes explica, também, que, foram beneficiados contribuintes de diversas naturezas, "desde pessoas físicas, jurídicas, empresas de médio e grande porte e, também, pequenos contribuintes". Além disso afirma que a investigação conseguiu descobrir vínculos entre os dois servidores e a ex-estagiária presos com os contribuintes beneficiados. "Alguns conseguimos, ou eram amigos, familiares, vizinhos."
A operação teve início após a Procuradoria-geral do Município constatar uma certidão com efeito de negativa no cadastro de devedores, o que causou estranhamento pois nada havia sido informado pela Secretaria de Fazenda sobre este pagamento. Este fato ocorreu em maio do ano passado e teve início uma investigação interna. Posteriormente o prefeito Marcelo Belinati (PP) determinou o envio das informações ao MP que passou a cuidar do caso.
Na manhã desta quinta foram expedidos quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão em seis residências e três empresas, sendo oito em Londrina e um Alvorada do Sul. Os funcionários públicos Claudinei dos Santos Sisner, Paula Carolina de Souza e a ex-estagiária Camila Azarias foram presos temporariamente. Já o mandado de prisão de Marcos Paulo Modesto ainda não foi cumprido porque ele está hospitalizado.


