Gaeco oferece denúncia de lavagem de dinheiro da 10ª fase da Publicano
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 
O Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado) ofereceu denúncia por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica por 11 fatos criminosos contra quatro envolvidos no esquema corrupto incrustado na Receita Estadual do Paraná. Segundo a acusação, o auditor fiscal Gilberto Favato fazia parte da cúpula do esquema e atuava na delegacia regional de Maringá (noroeste). Também foram denunciados seus parentes, Antônio Gildo Favato, Dhieriene Aparecida Favato e João Carlos Berlese. O processo foi distribuído na terça-feira (8) ao juiz Juliano Nanuncio, da 3ª Vara Criminal de Londrina, e faz parte da décima fase da Operação Publicano.
De acordo com o promotor do Gaeco, Jorge Barreto, a lavagem de dinheiro era constituída por compra e venda de veículos em nome de terceiros e na aquisição de imóveis em valores superiores aos declarados. "Eles utilizavam essa prática para esconder o dinheiro advindo da corrupção." Entre os fatos, a denúncia descreve que Favato teria lavado cerca de R$ 100 mil em dinheiro oriundo de corrupção. Ele teria adquirido os bens em Maringá entre 2012 e 2013, mas só teria registrado a compra em 2015, após deflagrada a investigação com a finalidade de reintegrar o dinheiro ilícito ao seu patrimônio, já com aparência de licitude.
Os promotores também narram a compra em espécie com dinheiro supostamente de propina na aquisição de três veículos com anuência dos demais denunciados. Ao oferecer a denúncia, o Gaeco já arrolou cinco testemunhas de acusação, dentre elas o principal delator do esquema, o ex-auditor fiscal Luiz Antonio de Souza.
Apesar de ter sido absolvido na Publicano 1, Favato é réu em outras fases da Operação na Justiça. "Não se pode concluir, cabalmente, que o acusado integrasse a organização criminosa narrada na inicial, devendo ser, por isso, todos eles absolvidos, ante a insuficiência de provas, consagrando-se o princípio in dubio pro reo", escreveu o juiz em dezembro de 2016. O Ministério Público recorreu desta decisão. A defesa do auditor fiscal não foi encontrada pela reportagem da FOLHA para comentar a nova denúncia contra Favato e seus familiares.


