Gaeco investiga suposto laranja
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quarta-feira, 09 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, instaurou ontem inquérito policial para apurar suposto crime de falsidade ideológica em uma representação encaminhada à Câmara, mês passado, contra oito vereadores. Entre as irregularidades sob investigação está a possibilidade de o documento - na realidade, um ofício de pouco mais de 10 linhas, com erros de grafia e gramática - ter sido assinado por um cidadão analfabeto no escritório do advogado Ronaldo Neves, do ex-vereador Orlando Bonilha (PR), como se a iniciativa o fosse de sua própria autoria.
A representação datada de 14 de março e assinada por José Pinheiro Filho - acrescido apenas com RG e CPF - pedia a cassação de mandato dos vereadores Sidney de Souza (PTB), Gláudio Renato de Lima (PT), Flávio Vedoato (PSC), Jamil Janene (PMDB), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo e Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), além do próprio Bonilha, em função de notícias então veiculadas na mídia a respeito de suposta investigação do Gaeco sobre os vereadores.
Os nomes constavam de uma lista entregue aos promotores pelo empresário Marcelo Caldarelli dentro da investigação de suposta cobrança de propina pela doação de um terreno, em 2005. Dos oito parlamentares, porém, apenas Bonilha, Araújo e Bergamin acabaram denunciados e indiciados pelo Gaeco, além do ex-assessor Júlio Cesar Lima Romagnolli. Dia 17 de março a assessoria jurídica da Casa desconsiderou a representação - por falta de provas e de especificação de infração cometida, por exemplo.
Ontem à tarde, Pinheiro e Odilon Nascimento, da Associação de Compradores de Veículo da Pedra, depuseram ao delegado. Flore não quis revelar o teor dos depoimentos, mas admitiu que o foco da investigação é a possibilidade de crime de falsidade ideológica. ''A representação foi feita por alguém e ele (Pinheiro Filho) a assinou, quando, na verdade, não sabe ler nem escrever. Agora temos que coletar provas materiais e ouvir mais pessoas'', encerrou.
A FOLHA apurou que, no depoimento, Pinheiro declarou ser conhecido de Bonilha e ter sido chamado por ele e por Neves a assinar a representação como se fosse de sua própria autoria. O ex-vereador e o advogado estavam ontem com os celulares desligados.


