O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) instaurou inquérito para apurar suposta coação de testemunha durante a última reunião da Comissão Processante da Câmara Municipal em cima da Operação ZR3. Segundo o delegado Alan Flore, o agricultor Júnior Zampar, considerado testemunha-chave pelo Ministério Público, o procurou após ter sido ouvido pelos vereadores José Roque Neto (PR), Vilson Bittencourt (PSB) e João Martins (PSL) e questionado pelas defesas dos vereadores afastados Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV). Flore afirmou que Júnior Zampar relatou que havia sido xingado, ofendido, sofrido pressão psicológica e recebido voz de prisão, como noticiado pela FOLHA.

"Mesmo sendo uma vítima, o que jamais poderia ocorrer na condição de testemunha", disse Flore à FOLHA.

Imediatamente, Flore determinou que o presidente da CP, o vereador José Roque Neto, envie a gravação do depoimento e intimou todos os presentes na oitiva a também deporem, inclusive o Procurador Jurídico da Câmara.

"Foi concedido o prazo de dois dias para a apresentação do registro da reunião e e estou fazendo uma análise de uma eventual medida cautelar para que a instrução processual não seja prejudicada. Se ele (Zampar) apresentou um relato que eventualmente tenha alguma contradição, que seja explorado pela defesa, mas desde que não na forma de uma coação ou intimidação", explicou Flore.

Por meio de nota enviada pela Assessoria de Comunicação da Câmara, a Comissão Processante (CP) informou que "atendendo solicitação do delegado Alan Flore está providenciando cópia do registro em áudio e vídeo do depoimento do empresário Junior Zampar, ocorrido na última sexta-feira durante reunião para oitiva de testemunhas da CP, e que o referido registro audiovisual será encaminhado ao Gaeco". Na nota, a CP também acrescentou que "os parlamentares que integram o grupo não foram intimados sobre a abertura de inquérito policial envolvendo depoimento do empresário à Comissão Processante e por este motivo não vão se pronunciar sobre o assunto."

Sobre o inquérito aberto para investigar a suposta coação, o advogado Maurício Carneiro, quem deu voz de prisão a Zampar, afirmou que recebe a notícia com muita tranquilidade.

"Este jovem mentiroso correu para os braços do Ministério Público porque ele é uma cria do MP. Já esperávamos isso do Gaeco, que não busca a verdade, mas busca proteger um mentiroso, tanto que ele não deu entrevistas para a imprensa. Ele age desta forma quando há o contraditório. No MP ele deu 11 ou 12 versões, além disso neste caso a vítima é a administração pública e não ele, ele nunca foi vítima, isso qualquer estudante de direito no segundo ano sabe", afirmou Carneiro.

Já o advogado de defesa de Mario Takahashi, Anderson Mariano, disse que o que está ocorrendo é a "criminalização da atividade dos advogados". "Nós provamos que ele está mentindo, e ao invés de apurar se ele se ele está mentindo não, fala que ninguém o deixou procurar um advogado e vai Gaeco, ou seja, o Gaeco é o advogado dele. Isso é muito grave. O advogado não pode ser cerceado no seu direito de exercer a defesa. Vamos encaminhar para a Corregedoria", afirmou Mariano.

REUNIÃO
A reunião da última sexta na CP foi a primeira vez em que as testemunhas foram ouvidas na investigação realizada no âmbito do Poder Legislativo para apurar suposta quebra de decoro por parte dos vereadores afastados Mário Takahashi e Rony Alves, apontados pelo MP como líderes de suposta organização criminosa em esquema de aprovação de projetos de mudança de zoneamento no município.

O depoimento mais longo (uma hora e meia) foi do agricultor Junior Zampar, considerado testemunha-chave, e suposta vítima do esquema deflagrado pela Operação ZR3 do Gaeco. Zampar não foi acompanhado por um advogado e saiu sem falar com a imprensa. Os únicos a darem entrevistas foram os vereadores afastados Rony Alves (PTB) e Mário Takahashi (PV) e suas defesas, os advogados Maurício Carneiro e Anderson Mariano, respectivamente.

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