Gaeco investiga nova divisão de salários na Câmara de Londrina
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sexta-feira, 11 de abril de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Dois ex-assessores do vereador Paulo Arildo (PSDB) declararam ontem em depoimento ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) terem divido parte de seus salários com o parlamentar entre os anos de 2005 e 2006. A FOLHA teve acesso aos documentos, nos quais os atualmente promotores de vendas Paulo César Brito e Edson Luiz Baratto disseram ter repassado valores fixos de R$ 440 e R$ 500 dos respectivos salários de R$ 1050 e R$ 1300 em dinheiro e, no caso de Brito, também em suposta transferência eletrônica da própria conta, no Banco do Brasil, à conta corrente por meio da qual o vereador recebe os quase R$ 5 mil líquidos da Câmara Municipal, na Caixa Econômica Federal (CEF). Já Baratto relatou ter presenciado acertos do colega e de outros dois assessores de Arildo a ele e à esposa do tucano, Valéria Vieira, no próprio gabinete, uma vez que a verba sequer seria entregue dentro de envelopes, e no local não há divisórias de espaço.
Os depoimentos duraram cerca de uma hora, cada um, e foram tomados pelo promotor Renato de Lima Castro, mediante intimações dos dois ex-assessores. O promotor não quis comentar o teor das declarações, mas as considerou ''muito interessantes'' no sentido de instruírem o procedimento investigatório instaurado ontem mesmo. Se há indícios de crime? ''Sem dúvida, e de concussão'', encerrou, referindo-se ao crime pelo qual, mês passado, o ex-vereador Orlando Bonilha (PR) foi denunciado pelo Gaeco também por suposta divisão - com quatro assessores -, o que lhe rendeu até um dia de prisão.
Pouco antes de depor, Brito - exonerado do cargo a pedido dele próprio, dia 10 passado - conversou informalmente com a reportagem e confirmou valores citados em seguida ao Gaeco. Afirmou ter conhecido Arildo em movimentos da Igreja Católica e citou o valor de R$ 440 que repassaria do salário. Questionado sobre o que ficava do trabalho com o vereador, resumiu: ''Decepção''.
Oficialmente, ao Gaeco, ele relatou ter trabalhado desde 2003 com Arildo, inicialmente ganhando entre R$ 500 e R$ 600 como assessor de gabinete, e recebido um aumento para R$ 1.050 em 2005. A partir de ''determinado mês'' , teria de ter iniciado os repasses de R$ 440 - o que, garantiu, ficara definido em reunião supostamente realizada em dezembro de 2004 entre ele, Baratto, outro assessor, o vereador e a esposa. A princípio, a justificativa seria a de que o dinheiro bancaria ''gastos com o gabinete''; para tanto, Brito disse ir à agência do Banco do Brasil na prefeitura, sacar o valor e repassar, de modo que ''em duas ocasiões, recorda-se que determinou a transferência bancária para a conta de Paulo Arildo'', o que teria inclusive motivado uma possível discussão entre ambos, tempos depois.
Ainda no depoimento, o ex-assessor relatou desentendimentos com o ex-chefe por questões administrativas e explicou que chegou a haver, nessas épocas, reduções da suposta divisão - para R$ 200. Admitiu não ter comparecido ao trabalho por uma semana, mas teria sido chamado de volta e, desde novembro, não mais aceitado o 'racha'. Questionado pelo Gaeco sobre o porquê de ter aceitado suposta prática, alegou medo de exoneação, já que teria ficado desempregado por um tempo.
Já Baratto, que atuou como assessor e chefe de gabinete (de 2005 a 2006) entre fevereiro de 2001 e dezembro de 2007, depôs que desde os primeiros meses funcionais de 2001 (fevereiro, março e abril) teria tido de pagar R$ 500 dos R$ 1.300 de salário a a fim de que Arildo contratasse outros dois assessores (R$ 250 cada). À parte disso, relatou, ainda pagava despesas com o veículo do vereador que usava como assessor comunitário - e o argumento seria o mesmo do usado para Brito: a verba quitaria ''despesas de gabinete''. Em outro instante, o ex-assessor garante ter presenciado a entrega de valores de parte do salário três assessores à esposa de Arildo: por estar ''em espécie'' e porque ''não estava em envelopes''. Ele contou que pediu exoneração por motivos pessoais: montaria uma empresa de promoção de eventos.


