O Ministério Público (MP) do Paraná cumpriu ontem nove mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Cascavel (Oeste) e em empresas que pertencem aos filhos do vice-prefeito Maurício Querino Theodoro (PSDB). Os mandados se referem a duas investigações realizadas pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Cascavel e pelo núcleo regional do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As investigações apuram fraudes em licitações promovidas pela prefeitura. De acordo com o coordenador estadual do Gaeco e procurador de Justiça, Leonir Batisti, a primeira está relacionada à contratação de serviços de transporte escolar rural, havendo suspeita de que as empresas contratadas sejam do mesmo grupo, o qual seria vinculado à família da secretária de Assistência Social. "Não teria ocorrido a devida concorrência no processo licitatório", aponta.
A outra investigação apura o envolvimento em suposta fraude de empresas que pertencem aos filhos do vice-prefeito, que mantêm contratos com a prefeitura para a prestação de serviços de telefonia e informática. Também existem suspeitas de que as empresas têm a mesma estrutura física. Nos dois casos, os contratos estão em vigor desde meados de 2012.
Ninguém foi preso e a eventual participação de integrantes da administração ainda está em avaliação pelo Gaeco. "Vamos ver se alguém da prefeitura sabia ou se também foram enganados", disse Batisti.
A reportagem não conseguiu falar com o Theodoro, que é concunhado do empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), réu em processos penais das operações Voldemort e Publicano, de Londrina. O prefeito de Cascavel, Edgar Bueno (PDT), não quis comentar a investigação. "Sempre disponibilizamos todos os documentos que o Gaeco precisou. Estes apreendidos, ninguém pediu antes." Bueno informou que ainda não havia conversado com o vice-prefeito sobre o ocorrido.
Durante o cumprimento dos mandados foram apreendidos documentos das empresas investigadas, procedimentos licitatórios, contratos administrativos e computadores. Todo o material foi levado para o núcleo regional do Gaeco em Cascavel para análise. Os sócios e os funcionários das empresas do ramo de telefonia e informática foram ouvidos ontem.

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