Requerimento assinado pelo vereador Gerson Araújo (PSDB) pode ter sido usado para favorecer a construtora Iguaçu do Brasil, acusada de dar prejuízo de R$ 100 milhões a clientes e trabalhadores de Londrina. A empresa responde a processos trabalhistas e criminais. O escândalo de estelionato estourou no começo de 2013, cerca de três meses após o mandato tampão de Araújo no Executivo. Ele foi prefeito interino de setembro a dezembro de 2012, depois que Joaquim Ribeiro (à época no PSC) foi preso e renunciou.
A relação de Araújo e seu assessor parlamentar Willian Godoy com a empresa Iguaçu é investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O inquérito foi aberto há cerca de 60 dias. No mês de fevereiro do ano passado, o vereador assinou requerimento que pedia a decretação de utilidade pública de um terreno localizado na Avenida Henrique Mansano, zona norte de Londrina.
O imóvel já havia sido comprado pela Iguaçu por mais de R$ 20 milhões, mas, de acordo com advogados da família Zancope, proprietária da área, não eram pagas as parcelas. O delegado do Gaeco, Ernandes Cézar Alves, disse que "pelo que apuramos no inquérito até agora, o requerimento pode ter sido importante para beneficiar a Iguaçu em processo cível, que ela moveu para contestar o valor". A eventual desapropriação teria impacto na avaliação do imóvel. Mesmo não tendo sido protocolado pelo vereador na Câmara, o documento acabou anexado à ação que estaria sob segredo de justiça, segundo os advogados.
Conforme Alves, Araújo não negou a assinatura do requerimento. "Gerson não nega a proposta e diz que fez porque o assessor falou que seria algo interessante, um bom projeto. Mas, causa estranheza a emissão desse documento todo esse tempo depois, quando a área já estava negociada com a Iguaçu." O delegado vai pedir ao Legislativo mais informações sobre a tramitação do requerimento.

Ligações
Ainda no mesmo inquérito, consta que, em dezembro de 2012, último mês do tucano como prefeito, Godoy, então chefe de Gabinete, telefonou direto da prefeitura para a família Zancope, para falar do interesse da administração em desapropriar aquela área para eventual construção de uma Vila Olímpica. "Ocorre que naquele momento, a construtora Iguaçu negociava a compra do imóvel com a proprietária", disse o delegado do Gaeco.
"No depoimento, as vítimas dizem que receberam como temerária essa hipotética desapropriação, então, dias depois, concretizaram a negociação com a Iguaçu. Queremos saber se teve algum vínculo entre os dois (Araújo e Godoy) e a construtora para acelerar esse processo de venda", explicou o delegado. Os dois investigados já prestaram depoimento no inquérito e o ex-chefe de Gabinete confirmou ao delegado que fez as ligações, mas negou o interesse em beneficiar a empresa.
Segundo o advogado André Bravo, que defende a família vítima da Iguaçu, quando Godoy ligava para a proprietária da área, "ele demonstrava ter domínio do assunto, da negociação com a construtora".

Leia mais sobre o caso Iguaçu na página 6.

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