Gaeco indicia nove no caso Shirogohan
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quarta-feira, 02 de julho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, indiciou ontem no inquérito policial que apura pagamento de propina no ''caso Shirogohan'', o presidente da Câmara Municipal, Sidney de Souza (PTB); os vereadores Gláudio Renato de Lima (PT) e Renato Lemes (PRB); os vereadores afastados Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC) e Osvaldo Bergamin (sem partido), e os ex-vereadores Orlando Bonilha (sem partido) e Henrique Barros (sem partido).
Sidney e Gláudio compareceram ao Gaeco na tarde de ontem e já formalizaram o termo de indiciamento. Os demais acusados foram intimados para novos interrogatórios nesta sexta-feira. No início da semana, todos os parlamentares e ex-parlamentares prestaram depoimento ao delegado e negaram as acusações. O único que reconhece o pagamento de propina é o ex-vereador Orlando Bonilha.
De acordo com o delegado, além da suspeita de recebimento de propina, os nove vereadores tiveram participação ativa na aprovação da lei que permitiu ao proprietário da boate erótica Shirogohan, Claudemir Medeiros, construir um motel próximo ao estabelecimento. O projeto de lei contornou empecilhos legais impostos pelo Plano Diretor.
A tramitação foi atípica: os vereadores utilizaram uma lei que já tinha passado pela primeira votação, versando sobre alteração de área comercial no Jardim Guararapes, e inseriram a alteração dos dispositivos que disciplinam a construção de motéis. Em apenas uma tarde, do dia 23 de maio de 2006, a mudança passou por todas as etapas necessárias - proposição, emissão de parecer pelas comissões internas e votação em plenário.
Cada grupo de vereadores participou de uma fase do processo. Gláudio, Renato Lemes, Bergamin, Barros e Tamarozzi assinaram a proposta de alteração. Araújo, Vedoato e Sidney de Souza assinaram parecer da Comissão de Justiça. E Orlando Bonilha, como presidente da Câmara, levou o projeto ao plenário.
Além da confissão de Bonilha, o inquérito conta com a confirmação do proprietário da Shirogohan de que houve exigência de propina de R$ 15 mil. Em seu depoimento, a que a FOLHA teve acesso ontem, Claudemir Medeiros diz que Sidney se mostrou irritado durante a negociação porque sua alegação de que não participaria da partilha do dinheiro estava sendo vista com desconfiança pelos colegas.
No depoimento, o proprietário da boate disse ainda que Sidney de Souza fez a primeira menção à propina, durante um telefonema, e lhe propôs a realização de um churrasco para explicar aos membros do legislativo e executivo a necessidade de alteração do Plano Diretor.
Domicílio
O delegado Alan Flore e o promotor Cláudio Esteves tomaram ontem à tarde o depoimento do secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira da Silva - citado com interlocutor de Medeiros junto à Câmara Municipal. De acordo com o delegado Alan Flore, Adalberto negou irregularidades e disse que apenas fez a apresentação do empresário aos vereadores.
O secretário está de licença médica e foi interrogado em sua própria residência. Questionado por interfone se falaria com a imprensa, foi peremptório: ''não adianta nem tentar que não vou falar com vocês''.


