Vinte e três integrantes da superorganização criminosa que agia na Receita Estadual (RE) de Londrina, desarticulada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que deflagrou na sexta-feira passada a Operação Publicanos, foram indiciados ontem por corrupção e sonegação fiscal, além de outros crimes. O inquérito deve ser concluído hoje pelo delegado Ernandes Cézar Alves, que atua na corregedoria disciplinar da Polícia Civil, mas foi designado para este caso pelo fato de já começado a apurar este caso quando ainda trabalhava no Gaeco.
Ontem, todos os suspeitos presos em Londrina – nove, incluindo dois empresários e seis auditores fiscais – foram levados ao Gaeco para serem qualificados. "Todos permaneceram em silêncio, mas foram qualificados, o que é uma formalidade do inquérito policial", disse Alves. "Com o indiciamento, apontamos que há elementos suficientes sobre a autoria e que está demonstrada a materialidade."
Estão presos os auditores fiscais Rosângela Semprebom, Luiz Antonio de Souza, Dalton Lázaro Soares, Luiz Antonio Favoretto, Marco Antonio Bueno e Ranulfo Mendes Rodrigues, cujo nome foi divulgado apenas ontem. O sétimo auditor, Márcio de Albuquerque Lima, que chegou a ser inspetor-geral de Fiscalização da RE, em Curitiba, está foragido. Seu advogado, Douglas Bonaldi Maranhão, de Londrina, impetrou ontem habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná.
Soares, Favoretto e Lima já foram delegados-chefes da Receita de Londrina; Souza está preso desde janeiro, quando foi flagrado em um motel com uma adolescente de 15 anos; já Bueno e Rodrigues são respectivamente presidente e vice da Associação dos Funcionários Fiscais do Estado do Paraná, regional de Londrina, entidade ligada ao Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Paraná (Sindafep). Rosângela é irmã de Souza. Outra irmã da dupla de auditores, Roseneide Souza, também está presa. Ela é funcionária licenciada da Companha Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Entre os empresários presos está Paulo Roberto Midauar, que seria dono de uma revendedora de combustíveis em sociedade com seu cunhado, Stefan Ruthschilling. Midauar também preso em decorrência de sua possível participação na fraude para contratação de oficina para prestar serviços à frota oficial do Estado, na operação Voldemort.
A operação Publicanos também levou à cadeia o policial civil André Santelli, lotado na Delegacia de Ibiporã, que teria tentado subornar um agente do Gaeco, oferecendo R$ 3,5 mil mensais para obter informações sobre as investigações em curso, envolvendo auditores da RE.
Também compareceram ao Gaeco ontem, para qualificação, os colaboradores, que já foram libertados, como o casal Andreia e Carlos Henrique Dias, donos de uma empresa da área têxtil, e o contador Emerson Rodrigues. Em depoimento, teriam assumido participação nos delitos e delatado os demais envolvidos.
Segundo o delegado, praticamente todos foram indiciado por organização criminosa e corrupção passiva (agentes públicos) ou ativa (empresários). "Mas há possíveis crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica."

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